08/02/2016 às 18h53min - Atualizada em 08/02/2016 às 18h53min

A caçada de Zé de Nelson...

Por Janio Rocha Modesto

Portal Corrente
Janio Rocha Modesto

Como já contei aqui em outras oportunidades, Zé de Nelson era filho do véi Nelson, vaqueiros do Sr. Nalvo Cunha (Seu Ná) lá na Fazenda Formigueiro, um pouco abaixo do Retiro, que era do meu pai, cerca com cerca.

Zé, como era conhecido, praticamente foi criado junto conosco - contemporâneo de Afonso, Adanisson e Ennio, meus irmãos mais velhos. Eu, bem mais novo, apreciava muito as peripécias de Zé. Pra tudo ele tinha uma resposta pronta e não deixava o interlocutor sem resposta.

Certa feita ele terminou a lida da fazenda ao final da tarde e como de costume, naquela época tinha muitas caças nas nossas matas, ele resolve ir caçar umas zabelês que contavam na caatinga próximo ao pátio da Fazenda, já no lusco fusco. Carregou a bate-bucha, apanhou o embornal ou capanga como conhecemos, e saiu em busca de uma zabelê para o frito do almoço do dia seguinte.

Passando na porta lá de casa, que ficava pertinho, Adanisson chama Zé e começa a conversar. Adanisson, dono de uma anarquia que fazia inveja, começa a interrogar Zé:

 -  Prá onde vai, véi Zé?

 -  Rapais, vou ver se puxo uma zabelê daquelas pro almoço lá de casa amanhã!

 -  Ô Zé, e essa bate bucha presta?

 -  Rapais eu acho que presta, mas nunca fiquei na frente dela não!

 -  Ô Zé e você é bom prá atirar?

 -  Rapais prá atirar eu sou o mió, agora o diabo é acertar que eu não sou muito bom não!

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