22/01/2014 às 01h19min - Atualizada em 22/01/2014 às 01h19min

Sítios arqueológicos deram apoio a tese polêmica sobre a ocupação da América

Parque Nacional da Serra da Capivara é desvalorizado pelo poder público, que despreza sua importância histórica

Folha de São Paulo

Houve um tempo em que o sítio arqueológico Boqueirão da Pedra Furada estava no epicentro de uma longa e azeda controvérsia científica: a antiguidade da ocupação humana das Américas. Que o Parque Nacional da Serra da Capivara esteja à beira de fechar é só mais uma oportunidade perdida na pátria das oportunidades perdidas.

A polêmica já teve como desfecho a quebra do chamado paradigma Clovis. O nome vem de um sítio no Novo México (EUA) que seria o mais representativo dos primeiros ocupantes do Novo Mundo.

Mais dogma que paradigma, a hipótese rezava que todas as populações pré-colombianas descendiam de caçadores-coletores da Ásia que teriam alcançado este continente por uma passagem de terra no estreito de Bering há 13 mil anos –e não mais.

A antropóloga Niède Guidon foi uma das primeiras a se levantar contra Clovis. Nos anos 1970, participou de um estudo científico pioneiro naquela região do Piauí, que conta com um milhar de abrigos cobertos de pinturas rupestres. Para ela, ali estavam os vestígios mais antigos do homem americano.

Guidon não teve entre arqueólogos o sucesso obtido –de início– em criar o parque. Nunca conseguiu convencer a maioria dos especialistas de que os pedaços de carvão de Pedra Furada, datados de 50 mil anos atrás, tivessem feito parte de uma fogueira construída por mãos humanas e não fossem produto de um incêndio natural.

O Museu do Homem Americano em São Raimundo Nonato ainda fala em ocupação de 50 mil anos, mas isso não é levado a sério fora dali.
Clovis está enterrado. A teoria que vier a substituí-lo, porém, estará baseada nas datações de sítios como Monte Verde (Chile) ou Paisley (Oregon, EUA), que apontam para uma leva de migração 14 mil ou 15 mil anos atrás.

A última promessa da Serra da Capivara é a Toca da Tira-Peia, com artefatos datados de 22 mil anos atrás.

Mas como esperar que a pesquisa no sítio receba todos os recursos para tornar essa datação inquestionável, se nem o parque nacional o país se dispõe a sustentar?

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