27/11/2015 às 19h43min - Atualizada em 27/11/2015 às 19h43min

ABENGOA inicia demissão em massa que atinge mais de 1.500 trabalhadores em obras na Bahia

Empresa possui enormes dívidas com fornecedores nas obras da Linha de Transmissão Miracema/Sapeaçu

O Expresso

O Sindicato dos Trabalhadores da Construção Pesada e Montagem Industrial do Estado da Bahia (Sintepav) ingressou nesta quinta-feira (26) com pedido de mediação em caráter de urgência, junto ao Ministério Público do Trabalho – MPT, referente a demissão em massa dos trabalhadores da Companhia espanhola Abengoa, responsável por obras de energia renovável e infraestrutura na Bahia. Nas últimas semanas a companhia já havia demitido cerca de 500 trabalhadores e agora somente na Bahia, realizará até o final do mês, a demissão de mais de 1.500 funcionários. A Abengoa está presente em mais de 80 países e tem o maior projeto de linhas de transmissão do Nordeste – 900km passa pela Bahia.

De acordo com o Dow Jones Newswires, a companhia espanhola Abengoa, está encerrando as atividades no Brasil e entre os contratos firmados entre a empresa e o Governo Federal está a renovação da rede de transmissão de energia desde a cidade de Miracema/TO até Sapeaçu/BA. Neste trecho vários fornecedores e prestadores de serviços de Goiás, Tocantins, Piauí e Bahia, estão angustiados devido ao crédito que têm junto a empresa espanhola. Muitos deles o volume de recursos se aproximam de um milhão de reais a receber. Conforme a publicação, caso se confirme o calote, empresas de médio e pequeno porte deverão fechar as portas e enfrentar uma enxurrada de ações trabalhistas.

O Sintepav BA buscará medição, via o MPT, na tentativa de diminuir os impactos negativos na vida dos trabalhadores causados pela perda dos empregos, repentinamente e ainda pela crise financeira que o país enfrenta. Espera-se que a negociação estabeleça o auxilio financeiro, pagamento de cestas básicas por um período, cursos de qualificação profissional e de que os trabalhadores demitidos sejam contratados prioritariamente, se houver a retomada das obras, além da garantia do pagamento de verbas rescisórias e de outros benéficos dos quais os trabalhadores demitidos tem direito.

A Companhia entrou com um pedido preliminar de proteção contra credores, um passo inicial que pode levar ao maior caso de falência da história da Espanha. A empresa é ainda apontada pelo Dow Jones Newswires como uma das maiores construtoras do mundo de linhas de transmissão que transportam energia pela América Latina e também importante no setor de engenharia e construção com grandes usinas de energia renovável em lugares que vão do Kansas ao Reino Unido. A mais recente rodada de negociações da Abengoa com seus credores começou após a companhia de investimentos espanhola Gonvarri Corporación Financiera cancelar um plano de injetar cerca de 350 milhões de euros (US$ 375,85 milhões) na empresa sediada em Sevilha, disse a Abengoa na documentação regulatória entregue nesta quarta-feira.

Assim, as ações do Abengoa chegaram a cair até 70% nesta quarta-feira. Perto do fechamento da Bolsa de Madri, o papel recuava 49,78%. A notícia também atinge as ações de bancos espanhóis, que estão entre os credores da Abengoa. O valor de mercado caiu para 300 milhões de euros, registrou endividamento financeiro bruto de 8,9 bilhões de euros no terceiro trimestre. A Abengoa tem agora até quatro meses para negociar com os credores. Pela lei espanhola, enquanto isso os credores não poderão forçar a falência da companhia.

O Sintepav Bahia lamenta as demissões que agravarão o quadro de crise social das regiões dos municípios Riachão das Neves, Barreiras, Santana, Bom Jesus da Lapa, Igaporã, Livramento de Nossa Senhora, Ibicoara, Planaltino, Castro Alves e Sapeaçu e compreende que os trabalhadores não podem ser sacrificados com a perda dos seus direitos. A demissão de milhares de trabalhadores causará impacto direto na economia local, diminuindo o fluxo de renda no estado.

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