08/01/2016 às 19h42min - Atualizada em 08/01/2016 às 19h42min

Buritizais da bacia hidrográfica do Rio Paraim são destruídos por criações de suínos, queimadas e desmatamento

Superintendência de Meio Ambiente realizará trabalho conjunto com diversos órgãos para mudar a realidade do local

Ascom

Por Viviane Setragni

Em uma inspeção de rotina realizada no povoado Barroca, localidade Morro Redondo, zona rural do município de Corrente, a Superintendência Municipal de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (SUMAR) deparou-se com um quadro preocupante de violação das leis ambientais, que exigirá uma ação planejada e enérgica, envolvendo diversos órgãos, para evitar a destruição total dos brejos da região. Vale ressaltar que os brejos, ou veredas, são importantes biomas de ambiente complexo, composto por brejos estacionais ou permanentes, com grande presença de buritizais e que normalmente possuem uma grande quantidade de olhos d’água e nascentes de rios que abastecem a rede hídrica local. O brejo em questão faz parte da bacia hídrica do rio Paraim e é diretamente conectado a ele, alimentando-o com suas nascentes.

A primeira situação encontrada pela equipe foi a queimada generalizada do buritizal, prática realizada no período de estiagem, quando o brejo diminui significativamente a sua área inundada. Segundo o superintendente de Meio Ambiente Jesy Júnior, a prática teria como objetivo a formação de pastagem para o gado da região. “Este é um crime ambiental gravíssimo; a queimada em si já é uma prática condenada, principalmente num bioma importante e sensível como esse. Nós podemos perceber que as árvores foram agredidas pelo fogo e as pequenas mudas, normalmente abundantes, estão presentes em quantidade muito menor e lutam para sobreviver, o que infelizmente está sendo praticamente impossível pelo outro crime ambiental que identificamos, que é a criação de suínos na região”, destaca.


Centenas de suínos andam livremente entre os buritizais e destroem o bioma

A criação de suínos citada pelo superintendente é uma prática generalizada na localidade, onde dezenas de famílias criam os animais de forma desenfreada. Um morador da região, que não quer se identificar, declarou que há criadores no local com até 300 animais. “A criação de porcos aqui é feita por quase todas as famílias e a maioria tem a atividade como única fonte de renda. O problema é que eles são criados soltos, pois assim é mais fácil, já que não precisa ficar dando ração e comida”, relata. Os ganhos são consideráveis, já que um suíno razoavelmente novo chega a ser vendido por R$ 300,00 reais.


Taênia solium, encontrado no brejo
 

Na prática a criação sem controle dos animais está devastando todos os buritizais da região, pois os mesmos permanecem durante todo o dia fuçando e remexendo a terra, contaminando o solo e os mananciais com fezes. Eles podem ser vistos nas florestas, no meio das ruas e até nos cercados das casas, andando livremente. “Nós pudemos identificar até vermes nos mananciais, que aparentemente seriam de Taênia solium, cujo um dos hospedeiros é o porco e que pode causar a Cisticercose em humanos. Nós  podemos ter aqui um caso grave de contaminação, prejudicando não somente o meio ambiente mas também a espécie humana”, explica a Gerente de Análise Técnica, Suele Nogueira.


Brejo pisoteado pelos suínos. Muda de buriti destruída.

Diante da situação, o Superintendente informa que irá propor de forma urgente uma ação conjunta entre diversos órgãos e secretarias, com o objetivo de esclarecer a comunidade sobre os crimes ambientais que estão sendo cometidos, além de propor alternativas para a população. “Nossa ação imediata será a convocação de uma reunião com todos os moradores do povoado, com a participação da SUMAR, da Secretaria de Saúde, da Secretaria de Desenvolvimento Rural e se possível, do Ministério Público. Vamos deixar bem claro quais crimes ambientais estão sendo cometidos e quais as consequências para aqueles que insistirem na prática e daremos um prazo para adequação. Também considero importante apresentar uma alternativa, por isso será importante a participação da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural, orientando a comunidade para a forma adequada de criar os suínos. A criação controlada não é crime, desde que siga as normas exigidas”, pondera Jesy Júnior.


Buritizal desmatado para dar lugar à plantação de mandioca

Outra solução viável seria a proteção dos brejos e buritizais com cercas, segundo o superintendente. “Nós vamos sugerir ao prefeito que a área seja cercada, já que ela faz parte da bacia hidrográfica do rio Paraim e nós temos que tomar todas as medidas possíveis para preservá-la. O ideal seria a criação de uma Área de Preservação municipal, garantindo por lei a proteção do bioma”, reforça.

ANIMAIS PASTANDO NO BURITIZAL

SUÍNOS ANDAM LIVREMENTE POR TODO O POVOADO

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