26/04/2016 às 00h00min - Atualizada em 26/04/2016 às 00h00min

Comunidade da Barroca discute a criação de suínos na localidade

Brejos e mananciais estão sendo contaminados pela criação sem controle

ASCOM
Viviane Setragni

Comunidade da Barroca reune-se com SUMAR, MP, SEMDER, Saúde, ADAPI e EMATER

A comunidade da Barroca, zona rural do município de Corrente, participou de uma reunião na manhã desta segunda-feira com o objetivo de tratar a respeito da criação de suínos na localidade, os impactos no meio ambiente, os possíveis danos à saúde e as alternativas economicamente viáveis para mudar a forma de criação dos animais. A reunião foi promovida pela Prefeitura de Corrente, através da Superintendência Municipal de Meio Ambiente e Recursos Renováveis, e contou com a presença do Ministério Público, da Secretaria de Saúde e Saneamento, da Secretaria de Desenvolvimento Rural, do EMATER e da ADAPI.

A Gerente de Análise Técnica da superintendência, Suele Nogueira, iniciou a reunião falando sobre os impactos negativos da criação de porcos sem controle, já que a região está localizada em uma área de brejos. “Além de destruir os brejos, os dejetos dos porcos contaminam as águas, criando um grande problema imediato para a própria comunidade. Nossa intensão, ao realizar esta reunião, é promover uma discussão para encontrarmos a melhor solução para mudar essa prática, de forma que a população tenha uma alternativa de renda aqui mesmo na comunidade”.

A Promotora de Justiça Gilvânia Alves Viana manifestou a preocupação que o Ministério Público tem com a manutenção dos mananciais de água de Corrente. “A responsabilidade de preservação do Meio Ambiente é do poder público e também da população e a nossa ideia não é punir, mas conscientizar sobre a importância da preservação”.

A promotora também enfatizou que tem conhecimento de possíveis irregularidades no uso de agrotóxico cometidas por produtores de grande porte do agronegócio no cerrado, mas que aguarda as denúncias chegarem formalmente ao Ministério Público.  “A fiscalização das escarpas de serra é atribuição da SEMAR, mas nós podemos encaminhar a denúncia através do MP. Porém, nós precisamos que a população também faça a sua parte, dando mais legitimidade ao pleito”.

O gerente do viveiro de mudas e vice-presidente do Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio Gurgueia, Ederson Hermes de Brito, falou sobre a importância da mudança da cultura. “Os porcos destroem brejos o que está sendo feito aqui está errado. Sabemos que os porcos destroem todas as mudas de buriti, uma árvore que leva muitos anos para desenvolver e dar frutos. Não é porque os grandes latifundiários estão cometendo crimes de contaminação que a população também não irá fazer a sua parte, pois  a água é um bem maior, que pertence à comunidade. Os rios eram mais abundantes e as matas mais verdes. Hoje o rio está assoreado e secando cada vez mais”, colocou

A veterinária Geiza Queiroz esclareceu à população presente sobre as doenças que o ser humano pode adquirir comendo frutas e verduras mal lavadas ou lavadas com água contaminada com os dejetos dos suínos, principalmente idosos e crianças. “Dentre as doenças nós podemos destacar a cisticercose, uma doença grave e incurável. Temos também a Tênia, outra verminose cujo contágio se dá através da carne, que permanece no corpo por mais de 30 anos e que compromete a absorção de nutrientes. Há ainda a Salmonelose compromete os rins e as articulações”.

Muito foi discutido sobre as possibilidades de uma criação mais intensiva e até outras culturas que poderiam ser inseridas na comunidade, como sugeriu o coordenador regional do EMATER, Roberto Ferreira.

Durante o encontro a SUMAR aproveitou para realizar o cadastro das pessoas presentes, para dar início aos projetos e trabalhos. Uma nova reunião será agendada para o próximo mês.

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