15/01/2017 às 00h00min - Atualizada em 15/01/2017 às 00h00min

Frio de até -65°C mata quase mil pessoas entre a África, América do Norte, Ásia e Europa

De Olho No Tempo

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(Raposa congelada no município de Fridingen, estado de Baden-Württemberg, sul da Alemanha, na sexta-feira (13). Onda de frio congelou o rio Danúbio, onde o animal caiu e ao sair ficou completamente congelado. Crédito da imagem: Joahnnes Stehle)

The Day After Tomorrow pode até ser título de filme de ficção, mas o atual cenário é de total realidade.
Contrariando a informação divulgada pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) de que 2016 foi o ano mais quente já registrado na história do planeta – desde que as medições tiveram início, em 1872 – as constantes ondas de frio no hemisfério norte, além de provocar muitos estragos, também elevam a cada dia o número de mortos.

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(Gráfico mostra a média anual de temperatura global desde 1880 indicando que após 1940, o ritmo de aquecimento do planeta foi frenético tornando 2016, o ano mais quente já documentado. Crédito da imagem: Reprodução/Climate.gov/NOAA)

Desde o início do inverno, o frio intenso já matou quase mil pessoas em países da América do Norte, Ásia, Europa e até mesmo no norte da África.

Intensas massas polares potencializadas por vórtices ciclônicos – regiões de baixa pressão atmosférica – além de uma persistente e contínua corrente de jato, que contorna o Círculo Polar Ártico, com ventos de até 300 quilômetros por hora e sobre 12 mil metros de altitude, as invasões gélidas migraram para sul, rumo ao Equador, provocando tempestades violentas de neve.

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(Gráfico ilustra atuação do vórtice polar – vortex polar – e a corrente de jato sobre o hemisfério norte. Crédito da imagem: Reprodução/Scientific American Blog Network)

Somente no Canadá e Estados Unidos, a neve já tirou a vida de mais de 100 pessoas desde dezembro de 2016. Grande parte envolvendo acidentes de trânsito, com engavetamentos gigantescos, com quase 100 veículos de uma só vez.

O gelo acumulado nas rodovias provocou escorregamentos tornando inevitáveis os acidentes. O número de mortos na América do Norte também está atrelado aos moradores de rua, cuja a imprensa nem sempre tem o interesse em divulgar, pois mantém a linha de que países ricos não têm morador de rua desassistido pelo governo.

Mas, de acordo com organizações não-governamentais, até o momento quase 150 já morreram por causas relacionadas ao frio intenso de até -30°C entre os estados de Dakota do Norte e Maine, norte e nordeste dos Estados Unidos.

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(Tempestade de neve registrada no município de Tahoe City, Califórnia, Estados Unidos. Crédito das imagens: Bod Strong/Reuters)

Na Argélia, cidades elevadas registraram temperatura de até -5°C com precipitação de neve. A neve também caiu no Deserto do Saara pela segunda vez desde 2012, e não pela primeira vez em 37 conforme disseminado na imprensa mundial.

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(Intensa nevasca registrada em Sidi Bel Abbes, no norte da Argélia, próximo ao Mar Mediterrâneo. Crédito da imagem: Assaf Jourber)

No Egito, Alexandria teve a menor temperatura mínima em 100 anos, apenas 0°C. No Aeroporto Internacional, a temperatura mínima oficial caiu para 3°C.

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(Na região do Monte Sinai, no município de Jabal Mousa, a neve caiu em grande quantidade deixando toda a região completamente branca. Crédito da imagem: Ahmed Keshow)

Países da Ásia também enfrentam o inverno mais rigoroso dos últimos 60 anos, principalmente entre a Afeganistão, China, Mongólia, Nepal, Quirguistão, Tajiquistão, Turquemenistão e Uzbequistão.

No norte da Mongólia fez -45°C na última semana, a menor temperatura para um mês de janeiro desde 1968, segundo informou o governo do país. Já a geada negra destruiu plantações e matou mais de um milhão de animais.

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(Frio intenso como o registrado agora na província de Heinti, no norte da Mongólia, e que matou centenas de animais, não era visto desde fevereiro de 2001, quando na ocasião, quatro milhões de bovinos e caprinos morreram com a geada e a neve. Crédito da imagem: Arquivo/Greg Baker/AP)

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(Em 9 de janeiro de 2017, o Moderate Resolution Imaging Spectroradiometer (MODIS) do satélite Aqua da Agência Espacial Americana (NASA) capturou esta imagem de neve no norte da Mongólia. Estima-se que 157.000 mongóis agora enfrentam severas condições de sobrevivências, de acordo com a agência ReliefWeb. Durante o inverno de 2016, mais de um milhão de animais morreram durante um evento semelhante. Crédito da imagem: Reprodução/Earth Observatory/NASA)

O frio, sem precedentes em vários lugares, tomou conta de toda a Europa sendo que até mesmo a Rússia, segundo lugar mais frio do planeta Terra, depois da Antártida, registrou quebras de recordes de temperatura mínima, com até -65°C no norte da Sibéria.

As baixas temperaturas já mataram mais de 800 pessoas em todo o continente, onde autoridades confirmaram pelo menos 25 mortes na Alemanha, 90 mortes na Bulgária, 50 mortes na República Tcheca, 45 mortes na Romênia, 300 mortes na Turquia e 150 mortes na Ucrânia. Todos, números oficiais e que são atualizados diariamente pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pela Organização das Nações Unidas (ONU).

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(Neve acumulada em Erdine, província homônima, extremo oeste da Turquia, encobriu veículos por completo. Crédito da imagem: Asis Jakr)

A grande preocupação por parte da própria ONU é a quantidade de refugiados que partem de países em guerra sem fim, como o Iraque e a Síria e que estão alocados em tendas desprovidas de abrigo térmico sob temperatura de até -20°C no norte da Europa. O número de refugiados já passa de 150 mil somente em acampamentos da Alemanha, Grécia, França e Itália.

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(Criança em acampamento na Ilha de Lesbos, na Grécia, sob frio de -5°C e neve. Crédito da imagem: Stratis Balaskas)

Além de temperaturas muito baixas, outro destaque do inverno 2016/2017 no hemisfério norte é a quantidade de neve registrada. Os mesmos vórtices ciclônicos que “puxam” o ar gelado para o sul do hemisfério, também potencializam as frentes frias e que despejam grandes cargas de neve.

Algumas cidades do norte da Europa, por exemplo, além da Turquia, já registraram mais de cinco metros de neve desde o início do inverno, recorde absoluto de precipitação, de acordo com a OMM onde a média anual varia entre dois e três metros.

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(Neve acumulada em Orestiada, província de Thrace, extremo nordeste da Grécia e fronteira com a Turquia, recebeu em 10 dias, mais de dois metros de neve, recorde absoluto. Crédito da imagem: Valantis Dastamanis)

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(Em Sisak, na Croácia, o rio Kupa ficou completamente congelado após uma geada severa registrada na quarta-feira (11). Crédito da imagem: Dalibor Brdaric)

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(Em Szeged, na Hungria, o rio Tisza também congelou interrompendo a navegação em mais de 800 quilômetros até o município de Sighetu Marmației, localizado no judet (estado) de Maramureș, na Romênia. Crédito da imagem: Antal Kocsis)

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(Em Arnhem, província de Guéldria, no norte da Holanda, a neve acumulou em uma noite 14 centímetros, bastante para a região. Crédito da imagem: Ramon Jansen)

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(Em Belluno, província homônima, no norte da Itália, a neve obrigou o fechamento de estradas que dão acesso aos Alpes. Crédito da imagem: Laura Fenti)

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(Atual cobertura de gelo/neve sobre a Europa impressiona. Praticamente todos os países acumularam gelo e neve em superfície desde o início do ano. Crédito da imagem: Reprodução: Cbk)

Cidades inteiras ficaram isoladas nos quatro continentes afetados pelo frio intenso, onde a quantidade de sal despejada nas ruas para derreter a neve provocou desabastecimento até mesmo em supermercados e para a fabricação de ração animal para o gado.

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(Neve acumulada em Molise, Cambopaso, Itália. Crédito da imagem: Raffaele Laricchia)

O peso da neve acumulado em fios de alta tensão e em árvores provocou blecautes gigantescos interrompendo o fornecimento de energia elétrica, logo, de aquecimento interno, em centenas de municípios. Diversas ocorrências por desabamentos de telhados por força do peso da neve foram registradas, principalmente na Turquia.

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(Depois da Rússia, a Turquia é o país mais castigado pelo inverno rigoroso de 2017, onde cidades quase desapareceram em meio à neve. Crédito das imagens: Ali Pektaş - Beyza Şahin – Cem Annac - Gökhan Zengin - Hanifi Eskigün - Hasan Durmuş - İsa Aktaş - Kadir Güner - Osman Ufuk Keniş - Özer Aydoğmuş - Ufuk Gökmen - Yusuf Akyıldız - Yusuf Gulsemin)

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(Regiões da Grécia registraram frio excepcional de até -10°C e intensa nevasca nos últimos dias. Crédito das imagens: Athanasia Mpasoykoy - Manos Sparis – Konstantina Kolokouri - Pascal Manis – Spiros Soulis - Steni Dirfyos)

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(Neve acumulada na Rússia foi recorde absoluto em vários municípios, inclusive os tradicionais que acumularam até três metros por ano. Dezenas de cidades estão completamente isoladas. Crédito das imagens: Athanasia Mpasoykoy - Manos Sparis – Konstantina Kolokouri - Pascal Manis – Spiros Soulis - Steni Dirfyos)

Estradas foram completamente bloqueadas e estações de esqui, que faturam muito com o inverno e a neve, ficaram fechadas dada à grande quantidade de neve e às tempestades.

Tempestades invernais que ingressaram a partir do norte do Reino Unido também provocaram ventos intensos de até 170 km/h na Escócia, Irlanda e País de Gales, além de ondas gigantes na costa de até 17 metros, o que provocou muitos estragos e pelo menos cinco mortes na região de Plimude, no sul da Inglaterra.

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(Na Dinamarca, as ondas chegaram a oito metros e o vento superou 120 km/h em regiões das Ilhas Faroé. Crédito da imagem: Óli Reinert Á Geilini)

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(A neve deu às caras pela segunda vez neste inverno em países da Península Arábica, como Arábia Saudita e Omã. No norte africano, a neve registrada no Deserto do Saara chamou a atenção do mundo. Crédito da imagem: Geoff Robinson)

Os prejuízos à agricultura ainda estão sendo calculados, mas a Organização Mundial do Comércio (OMC) estima em mais de US$ 5 bilhões, apenas com a mortandade de animais, acidentes com transportes de mercadorias e dizimação de culturas.

Animais acostumados com o frio intenso morreram congelados em diferentes regiões provando que o atual período – já questionado por alguns cientistas como o início do novo resfriamento global, previsto a partir de 2028 – seria uma das primeiras evidências da mudança contrária à tese do aquecimento global, de que morreríamos torrados, e não congelados.

Com a dizimação da agricultura no hemisfério norte, estudos da Universidade de Lisboa, em Portugal, simulam uma migração da população para o hemisfério sul, onde terras férteis como as da América do Sul, alimentaria boa parte do planeta em um período de mudanças já vividas, portanto, cíclicas, do clima.

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