06/03/2017 às 15h20min - Atualizada em 06/03/2017 às 15h20min

Chuvas na medida certa devem assegurar maior safra dos cerrados no Piauí

Por Cláudio Barros

Portal AZ
Cláudio Barros

“O que dá dor de cabeça ao agricultor não é o governo ou a falta de governo e de estradas ou as dificuldades de crédito. O que dá dor de cabeça é a falta de chuva”, diz Altair Domingos Fianco, 62 anos, 15 deles dedicados a cultivar arroz, milho e soja em Uruçuí, Sudoeste do Piauí.

Nos últimos dois anos, Seu Altair e outros tantos agricultores instalados naquela região padeceram de uma dor de cabeça que custou algumas centenas de milhões de reais. Dinheiro que não se fez porque a estiagem reduziu drasticamente as colheitas. O que era euforia se transformou em apreensão e em alguns casos em quebra.

O ano de 2017 veio com a cura para as dores de cabeça dos agricultores do cerrado do Piauí: choveu na hora certa, em quantidade certa e na distribuição espacial necessária para garantir uma boa colheita.

Há uma expectativa de que neste ano sejam colhidas na região quase dois milhões de toneladas de soja – 1.1974.900, segundo levantamentos da Conab e do IBGE. Seu Altair é mais otimista e considera a possibilidade de serem colhidas 2,112 milhões de toneladas de soja.

Para as demais culturas (milho, arroz, feijão e algodão) projetam-se 1,190 milhão de toneladas, a maior parte do milho, que poderá responder com 1,160 milhão de toneladas.

Houve um recuo no cultivo do algodão, que requer maior custo e, depois de dois anos de perdas consideráveis na lavoura, não havia como os agricultores financiarem uma lavoura tão dispendiosa.

Seu Altair Fianco está praticamente curado da dor de cabeça. Ele e os demais agricultores da região Sudoeste do Piauí, que tem 33 municípios e uma de 8.2 milhões de hectares de terras potencialmente agricultável. Menos de 10% dessa área está aberta para o cultivo.

Na safra 2016/17, cuja colheita já foi iniciada, a área destinada ao cultivo de soja soma 684,6 mil hectares – 21% a mais que a área plantada em 2016, que foi de 565 mil hectares. Poderia ter sido mais, só que com a seca que causou dor de cabeça e prejuízos financeiros, houve menos gente para correr o risco de plantar.

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