07/10/2013 às 15h31min - Atualizada em 07/10/2013 às 15h31min

Marcus Henrique Paranaguá concede entrevista ao Portal Corrente

Diplomata fala sobre a decisão de entrar para o mundo político

Portal Corrente; foto: Cristiano Setragni

Por Viviane Setragni

Marcus Henrique Paranaguá, diplomata correntino, filho de Hélio Paranaguá, empreendedor, pioneiro e bem sucedido pecuarista do extremo sul do Piauí, realizou na última sexta-feira uma solenidade em Corrente para formalizar sua filiação ao PTB. A entrada de Marcus para o mundo político foi visto com surpresa por muitas pessoas, inclusive pelos amigos mais íntimos, já que possui uma invejável carreira no mundo diplomático, tendo já atuado como representante do país em Nova Iorque e países da Europa. Atualmente o diplomata reside em Brasília, onde atua como representante do Itamarati, e foi em junho deste ano que assistiu ao vivo as manifestações de protesto e insatisfação da população brasileira, fato este que o teria impressionado e instigado a envolver-se na política, segundo suas próprias palavras. Marcus aparece como um novo nome, inspirado por ideais, sem os vícios da velha politicagem. Em entrevista ao Portal Corrente,  fala sobre a sua decisão, os fatos que o inspiraram e sua visão do mundo político.

Portal Corrente: Após tantos anos estabilizado na carreira diplomática, morando em cidades que lhe dão acesso a todo tipo de comodidade e acima de tudo, bem sucedido, o que o levou a entrar para o mundo político, no estado do Piauí?

Marcus Henrique: Eu sempre gostei de política, como todo nordestino, e eu fui criado neste meio. Quando eu era criança, devido ao fato de não haver hotéis na cidade, governadores, deputados  e toda sorte de políticos se hospedavam na minha casa, então convivia com esse mundo e participava das conversas. A vida me levou para os caminhos da diplomacia, que foi sempre minha paixão, mas sempre  houve uma incerteza com relação à política, se entraria ou não, quando me envolvi no ano passado com a candidatura do prefeito Jesualdo Cavalcanti. Na ocasião cheguei a manifestar a ele o meu interesse, que então me convidou a participar de sua campanha, na qual acabei me tornando um grande entusiasta, desde o início. Participei ativamente; vinha aos finais de semana, subia no palanque, discursava, participava nos bastidores. Foi aí que me aproximei do Senador João Vicente Claudino, quando da sua vinda, e a partir daí nos encontramos diversas vezes em Brasília, onde a coisa foi tomando forma.

Mas sem dúvida o que foi crucial foram as manifestações de junho, quando o povo todo foi pra rua, querendo tocar fogo no país, descontentes. Eu assisti tudo aquilo atônito, de cima do Ministério, em Brasília. O barulho ensurdecedor da população, sem carro de som, sem liderança, sem guia, sem partido político, não tinha dono; era o povo na rua, revoltado, gritando, reclamando. Eu não estava lá no meio,  mas não estava distante; da janela de minha sala eu podia ver e ouvir o barulho rouco das ruas. Isso tudo me impressionou demais. Foi aí que eu decidi colocar o meu nome à disposição do eleitorado piauiense.

PC: O povo pede mudança. O senhor entra como um nome novo no mundo político. Existe alguma proposta nova? O que o senhor propõe de novo?

Marcus Henrique: Minha proposta é de resgatar princípios e valores, que seriam o respeito, a seriedade,  a firmeza de propósito e a honestidade no trato com a coisa pública. Eu tenho a minha carreira e não dependo de política; na minha casa ninguém é funcionário de governo, ninguém tem contracheque de governo, nem minha esposa, nem sobrinho, irmão, ninguém está pendurado no governo. Se por um acaso o povo piauiense achar que eu teria o direito de representá-lo, o que eu farei é dar o melhor de mim, da minha experiência  que eu adquiri na diplomacia, que não é pouca - eu tenho experiência internacional lidando de assuntos políticos.

PC:  O senhor pretende ser candidato nas próximas eleições?

Marcus Henrique: Hoje estou apenas me filiando no partido e até que haja as convenções, nada está definido. Se o quadro político for favorável, posso sim vir a me candidatar, caso contrário não entrarei numa aventura para me desgastar.

PC: Se por acaso o senhor vier a disputar um cargo nas próximas eleições e se por ventura não for eleito, o senhor aceitaria ser candidato a prefeito daqui a quatro anos?

Marcus Henrique: Quatro anos é uma eternidade na política (risos). Eu prefiro não falar sobre isso, porque na política amanhã já é longo prazo!

PC: O prefeito Jesualdo Cavalcanti já sinalizou que o senhor disputaria uma vaga na Câmara Federal. Por que não no legislativo estadual?

Marcus Henrique: Como membro da diplomacia brasileira eu represento o Itamarati em vários Ministérios, em vários colegiados, enfim, eu já sei como as coisas funcionam, como elas transitam em Brasília e eu acho sim que eu posso contribuir muito para o eleitorado piauiense e para nossa região que é carente de um deputado federal. Aqui os federais só vem em tempos de eleição e depois vão embora, a exceção de um ou dois. Mas a grande maioria é gente que é votada e não vem até aqui, nem para a Exposição. O sul precisa desta representatividade, mas somente o sul não é suficiente para eleger um deputado. Se acaso eu for candidato terei que visitar outras regiões a busca de votos. Meu nome já está circulando na mídia em Teresina e tenho certeza que o eleitorado mais instruído, que acessa a internet, saberá identificar a contribuição que posso dar de fato ao Piauí como um todo.

PC: O que o senhor espera das próximas eleições?

Marcus Henrique: Essa eleição do ano que vem pode ser definidora de muitas situações no nosso país, porque se acontecer no ano que vem, na época da Copa do Mundo, o que aconteceu agora em junho, e se as pessoas resolverem que querem mudar e que não querem reeleger ninguém, que querem votar em branco ou que querem eleger gente nova, tudo pode acontecer. Eu pretendo me apresentar, numa possível candidatura, como uma pessoa que pode contribuir para o Piauí como um todo. Quando o povo quer uma mudança, tudo pode acontecer.

PC: O senhor gostaria de deixar uma mensagem?

Marcus Henrique: Sim. A política é a atividade mais nobre que existe. A boa política enobrece, é fundamental e é o exercício mais aperfeiçoado da cidadania. Nada se faz sem política. As leis são feitas pelos políticos, os orçamentos são feitos pelos políticos, as emendas são feitas pelos políticos. Tudo o que cerca nossa vida é feita pelos políticos, seja no imposto que você paga no combustível que você coloca no seu carro, a previdência, a estrada que você precisa e não tem, a luz e a água, tudo passa pela política. É muito fácil criticar, mas criticar e não fazer nada é ficar na zona de conforto. Eu critico, mas eu proponho e ofereço meu nome como alternativa ao eleitorado piauiense.

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