22/03/2014 às 12h55min - Atualizada em 22/03/2014 às 12h55min

Ex-diretor do Idepi confessa: rompimento de Algodões era previsível

Norbelino devia estar preso, diz presidente do CREA

Portal AZ

O ex-diretor do Idepi Norbelino Lira de Carvalho(foto) confessou em audiência na 9ª Vara Criminal, que o rompimento da barragem de Algodões, ocorrido em 2009 era previsível. “Não tinha nenhum engenheiro lá que não soubesse que aquela barragem iria romper”, disse ele perante a juiza Waldênia de Aguiar Moura, em processo que o engenheiro move contra o jornalista Arimatéia Azevedo, por calúnia e difamação.

Norbelino deu a declaração durante depoimento do secretário de Segurança Pública, Robert Rios Magalhães, que, compareceu à audiência na qualidade de tesemunha arrolada. Robert Rios chegou a reconhecer que houve assassinato em Algodões e que gostaria de ver os responsáveis presos.

Robert Rios prossegue no depoimento: “O que houve em Cocal foi assassinato, tanto que foi aberto um inquérito pela policia civil e pela federal também. Aquelas mortes que ocorreram em Cocal eram plenamente evitáveis. Aquelas pessoas foram tiradas do local pelo prefeito e tiradas de volta, quando deram garantia de que nada iria acontecer. As pessoas ali foram assassinadas e alguém tem que pagar por esse crime, aquelas nove pessoas poderiam ter suas mortes evitadas”, disse Robert Rios.

Robert Rios chegou a revelar que em Cocal encontrou uma equipe de engenheiros, entre eles Norberlino Lira de Carvalho, Bertolino Madeira Campos e o economista Avelino Neiva, junto com o governador Wellington Dias. “Lá eu ouvi dos engenheiros a afirmação para o governador de que a barragem não romperia e isso fez com que as familias não fossem retiradas do local”, disse Robert.

“Era a pior cena que eu vi nos meus 35 anos de policia, e olha que eu vi coisa feia, arvores foram arrancadas pelas raízes, pessoas encontradas mortas só com os pés do lado de fora, pessoas desaparecidas que foram encontradas depois de muito tempo, já apodrecidas”.

No decorrer do seu depoimento Robert Rios lembrou que o grupo responsavel pela obra tinha sido denominado pelo governador Wellington Dias de Triolino, uma junção do sufixo ‘lino’ comum a Avelino, Norberlino e Bertolino. E afirmou: “eu lembro bem, como se fosse agora, que todo esse grupo se acocorou ali no chão, e com um graveto começou a explicar que a barragem jamais cairia, que aquela barragem não teria nenhum perigo, que teria que fazer os ajustes, mas não teria nenhum perigo daquela barragem ruir ali e ninguém corria o risco de vida”.

Ao fazer essa revelação, Robert Rios lembrou que o prefeito Ferdinand correu a avisar à população, pelo rádio, que eles poderiam voltar para suas casas porque tinha a garantia dos engenheiros responsáveis de que a barragem não iria ruir. 

Robert Rios falou também que nessas horas existiam muitas máquinas – caminhões, tratores, patró – nas imediações da barragem e estranhou que todas foram retiradas dias antes do rompimento.

“Vou lhe dizer um dado que comprova quantas mortes foram registradas e nenhuma máquina, que foi utilizada para construir a barragem, foi levada pela correnteza e se elas não foram levadas é porque os técnicos viram que aquilo iria desabar e tiraram as máquinas de lá. A empresa tirou todo o seu equipamento do local e só os pobres ficaram”. Disse Robert Rios.
Num dado momento da audiência, Norbelino Lira de Carvalho tentou justificar suas declarações a respeito do não rompimento da barragem. Robert Rios, contra argumentou:

“Se eu fosse engenheiro com o conhecimento que o senhor tem, eu teria dito que não ficava ninguém aqui, porque isso vai cair e vai matar gente, eu não teria deixado. Só não gritei, porque eu não era engenheiro”. 

Prontamente Norbelino retrucou: “você dizer isso diante do governador e diante de uma pessoa que foi seu mestre e professor era totalmente uma falta de respeito”.

 

A justificativa do engenheiro Norberlino Lira de Carvalho foi essa: 

“Estava eu, o Avelino e o Bertolino acocorados, quando o governador disse que a barragem vai ficar sob responsabilidade do professor Ernane, ai nós nos retiramos do local da barragem, ai acabou a minha responsabilidade . Quando o governador me autorizou a sair do processo de recuperação da barragem, isso na primeira vez que caiu, eu sai de lá e nunca mais voltei a obra, não assinei nenhuma ata e nunca mais voltei na obra. As palavras do Robert Rios são perfeitamente verdadeiras e foi o que exatamente aconteceu , só que o governador nesse instante disse que a responsabilidade pela obra ficaria com o professor Ernane, que é um mestre e que foi o professor de toda a elite da engenharia piauiense e até brasileira. 

O presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Piauí (CREA-PI), Paulo Roberto Ferreira (foto), afirmou que ficou surpreendido com as declarações do engenheiro Norbelino Lira de Carvalho, ex-diretor do Idepi, em audiência na 9° Vara Criminal, a respeito da ruptura da barragem de Algodões. Norbelino chegou a dizer que sabia que a barragem romperia. Para Paulo Roberto o engenheiro deveria estar preso.

 

Norbelino devia estar preso, diz presidente do CREA


Para o representante do CREA-PI, as declarações de Norbelino são muito graves e demonstram negligência por parte de toda a equipe ele comenta ainda que os responsáveis pela tragédia deveriam está presos. 

“Como eles sabiam disso e não avisaram para ninguém? A primeira coisa que deviam fazer era prender esse cara, porque não foi só prejuízo financeiro, pessoas morreram naquela tragédia”, disse Paulo Roberto Ferreira.

De acordo com o presidente do CREA o conselho vai abrir uma nova investigação após as declarações dadas pelo engenheiro em juízo, que afirmou que todos os responsáveis sabiam que a barragem poderia romper. “Fiquei boquiaberto com as declarações do Norbelino, como acho que todos ficaram. Voltaremos a investigar o caso minuciosamente “, afirmou.

O presidente afirmou que o comitê de ética irá cuidar das investigações após as declarações e que Norbelino poderá até perder o registro na instituição. “Vamos abrir a investigações, e esperar o que vai acontecer, mas ele pode até perder o registro do CREA “, ressaltou Paulo Roberto Ferreira.


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