03/05/2014 às 15h12min - Atualizada em 03/05/2014 às 15h12min

Hospital de Corrente: plantão do final de semana começou sem um único leito disponível

Médico denuncia: hospitais de cidades vizinhas fecham as portas e mandam pacientes para Corrente

Portal Corrente

O hospital de Corrente passa por grave situação, como pôde ser constatado na noite desta sexta-feira (2). Absolutamente todos os leitos do hospital estavam lotados já no início do plantão de final de semana, que costuma ser agitado e com grande número de atendimentos.

O Dr. Jean Carlos Félix, médico plantonista da noite, relatou em entrevista a situação, que tem sua origem na falta de critérios e de estrutura dos hospitais das cidades vizinhas, que fecham as suas portas e enviam os pacientes sem prévio contato. “Nosso hospital de Corrente tem estrutura para atender o município de Corrente e das cidades vizinhas que de fato deveriam ser atendidas, ou seja, as que não possuem hospital. Na prática, estamos atendendo a demanda de toda as cidades da região, inclusive as que possuem hospitais , os quais estão com as portas fechadas, leitos desocupados, ociosos e pacientes sendo enviados para cá”, desabafou, indignado, o médico.

Dr. Jean ainda colocou: “municípios como Gilbués, Monte Alegre, Curimatá, Cristalândia e Parnaguá, todos possuem hospital e se você circular por aqui vai encontrar pacientes de todos estes lugares. Nó somos pequenos demais para atender a essa população toda”.

O médico relata ainda que a superlotação iniciou há alguns dias e nesta sexta chegou ao limite máximo, sem um único leito disponível, inclusive os quartos que deveriam ser exclusivos para internação masculina, onde já há mulheres no mesmo quarto, e os leitos que deveriam ser isolados, como os de pós-parto, que também estão com pacientes de outras alas do hospital.

Os pacientes de outras cidades que chegam ao hospital estão sendo trazidos de ambulância dos respectivos  municípios, sem nenhum prévio contato. “Há muito tempo venho tentando fazer com que a transferência dos pacientes seja feita de forma responsável, que se transfira mediante um contato prévio. Na prática isto nunca acontece”, explicou Dr. Jean.

O médico conta que o hospital de Corrente perdeu a patente de hospital regional, passando  a ser um hospital estadual, que seria do mesmo porte do hospital de Curimatá.

“Perdemos o status por questões políticas e podemos recuperar, se houver interesse, senão não há como. Muitos equipamentos de procedimentos semi-intensivos foram tirados daqui e levadas para Bom Jesus. Isso não foi uma caridade, houve interesse político de puxar o hospital para lá. Mas se houver interesse politico em tentar melhorar o hospital é possível, mas enquanto não tiver essa patente de regional nós vamos ficar limitados, pois os recursos para o hospital regional são uns e para um hospital estadual são outros”, enfatizou.

“Para nós, os médicos, a situação é complicada, pois ao negar o atendimento estamos nos omitindo, ao aceitar, estamos nos expondo, pois não há estrutura. Hoje é sexta-feira, não há um único leito vago. Se chegar alguém o que vou fazer? Vou negar atendimento? Certamente vou atender, mas ele vai ficar no chão, vai ficar no corredor, porque  não um único leito, como a senhora constatou”, finalizou.


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