12/05/2014 às 01h52min - Atualizada em 12/05/2014 às 01h52min

Pesquisadores retomaram coleta do fóssil da preguiça gigante em Corrente

Material arqueológico também foi identificado na região

Portal Corrente

Por Viviane Setragni

Uma equipe de pesquisadores da Universidade Federal do Piauí esteve em Corrente durante a última semana com o objetivo de retomar os estudos iniciados em junho de 2013, quando foi encontrado um fóssil na localidade de Riacho Grande, zona rural do município, identificado como pertencente à uma preguiça gigante. A equipe foi composta pelo paleontólogo Dr. Juan Carlos Cisneros, os arqueólogos Abrahão Sanderson Nunes Fernandes da Silva e Felipe de Sousa Soares, a estudante de biologia Sara Cristina Memória Campelo e a estudante de arqueologia Keyla Maria Ribeiro Frazão.

Fóssil de preguiça gigante. Foto: Dr. Juan Cisneros

O paleontólogo Dr. Juan Cisneros relatou que durante os últimos estudos realizados no local em que o fóssil foi encontrado, foi coletada apenas uma parte, ficando grande parte do esqueleto ainda por ser retirado. “Quando estivemos aqui, iniciamos a escavação e encontramos uma certa quantidade de ossos, referentes a um único animal. À medida em que cavávamos mais ossos eram encontrados. Mas nosso tempo se esgotou,  tivemos que encerrar as escavações e retornar à Teresina com o material coletado, embora soubéssemos que havia mais. Então a nossa volta tem por objetivo retomar esse trabalho iniciado”, esclareceu.

Paralelamente à busca do fóssil, durante as últimas pesquisas também foi identificada uma grande quantidade de materiais arqueológicos e por este motivo desta vez a equipe também foi composta por arqueólogos, como  informou o professor Abrahão Silva. “Diversos artefatos em pedra foram identificados durante a última pesquisa, em torno do local onde estava sendo colhendo o fóssil da preguiça e o Dr. Juan levou até a universidade duas amostras. Imediatamente identifiquei como sendo um material bem expressivo em termos de indústria lítica, chamado de Tradição Itaparica, que são artefatos feitos a partir da pedra lascada”.

Artefatos de pedra lascada. Fotos: Keyla Frazão

 

O professor também afirmou que estes artefatos já foram encontrados em grande quantidade na região de São Raimundo Nonato, mas a região sul do estado é totalmente inexplorada neste sentido. “Por isso tive grande interesse em participar desta vinda à região, para averiguar como este material se apresenta, em que contexto ele aparece, para definirmos de que forma o trabalho de pesquisa e coleta será realizado futuramente”,  colocou.

Ao identificar uma região com potencial arqueológico, com ela vem a necessidade de realizar a proteção destes locais. Para tanto, Dr. Juan afirma que primeiramente, para realizar pesquisas e coleta de amostras, é necessária autorização de dois órgãos federais, o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e o DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral).  “Não é permitido simplesmente chegar a um local e coletar o material. É absolutamente obrigatória a autorização federal para realização deste tipo de trabalho”.

A segunda condição para a preservação do local é que o poder público local apoie as pesquisas. “O prefeito Jesualdo Cavalcanti já esteve no campus da universidade em Teresina, onde apresentei a ele o material coletado. No caso de Corrente, está claro que há interesse da gestão municipal em apoiar o projeto, o que é bastante positivo”, afirmou Dr. Juan.

Por fim, a comunidade precisa ser orientada sobre a questão, através de ações educativas. “A medida que a população passam a ter conhecimento do valor histórico do material, ela passa a se tornar guardiã deste patrimônio, por isso a conscientização, através de trabalhos educativos, é de fundamental importância para a preservação desta riqueza”, enfatizou o pesquisador.

As pesquisas realizadas durante esta visita de fato indicaram que o local possui também grande potencial arqueológico. Já a respeito da preguiça gigante, houve certo avanço na coleta do material, mas ainda há partes do fóssil a serem coletadas. “Sem dúvida necessitamos retornar à região, mas desta vez para permanecermos um período mais prolongado, pois há muito trabalho a ser feito”, declarou o Dr. Juan Carlos Cisneros.

Foto: Dr. Juan Cisneros

Foto: Dr. Juan Cisneros

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