20/02/2015 às 22h42min - Atualizada em 20/02/2015 às 22h42min

Defensor público suspeito de cobrar propina tem salário de R$ 23 mil

Adriano Moreti foi preso nesta quinta-feira sob suspeita de cobrar propina. O defensor público nega envolvimento no crime e acusa sua secretária.

G1
O defensor público Adriano Moreti, preso nesta quinta-feira (19), suspeito de cobrar por serviços públicos, recebe um salário de mais de R$ 23 mil. A informação consta no Portal da Transparência do Governo do Estado do Piauí com relação ao contracheque do mês de janeiro. Segundo a Polícia Civil, Moreti cobrava até R$ 5 mil por processo para atuar como advogado. A prática é ilegal, já que os serviços da Defensoria Pública são gratuitos e destinados a pessoas carentes. Em depoimento à polícia, o defensor alegou inocência e afirmou que quem cobrava pelos serviço da defensoria era sua secretária.
 

O cargo de defensor público é um dos mais bem pagos do estado do Piauí. Como base de comparação, o salário do governador do estado, Wellington Dias, é de R$ 17.985. Os deputados estaduais vão receber a partir do mês de março, R$ 25 mil, já que aprovaram um reajuste de 25% na primeira quinzena deste mês.

"A Defensoria atende a pessoas carentes que não têm condições de arcar com os serviços de um advogado. Portanto, se aproveitar disso é um golpe contra a sociedade", afirmou o coordenador do Grupo de Repressão ao Crime Organizado (Greco), delegado Carlos César.

O advogado de defesa do Adriano Moreti, Jurandir Porto, afirmou que seu cliente é inocente e que sua prisão foi um erro. “O decreto de prisão foi um equívoco. Os motivos alegados no decreto não se sustentam. O próximo passo vai ser provar sua inocência e fazer o pedido de liberdade”, contou.

Entenda o caso
A Polícia Civil investiga o defensor público Adriano Moreti desde julho de 2014, quando duas pessoas denunciaram que o servidor estava cobrando até R$ 5 mil para atuar como advogado em seus processos. O suspeito foi preso nesta quinta-feira (19) a pedido da polícia, já que ele continuava a desempenhar suas funções normalmente na cidade de União, a 54 de km de Teresina.

“O defensor poderia estar lesando outras vítimas em conluio com a secretária que também foi indiciada, mas não foi presa por ter confessado participação no crime”, disse o delegado Carlos César.

O coordenador do Greco afirmou ainda que extratos bancários, documentos e os depoimentos das vítimas são consideradas provas concretas contra o suspeito. "A prisão preventiva foi decretada com um segundo inquérito policial contra o suspeito. Além das duas vítimas lesadas no ano passado, chegou ao conhecimento da Polícia uma terceira vítima. Para cada solicitação de entrada em ações pela defensoria pública ele cobrava uma quantia em dinheiro no valor de até R$ 5 mil. O que é considerado crime de corrupção, por cobrar propina por um serviço público", finalizou.

 


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