25/04/2017 às 10h02min - Atualizada em 25/04/2017 às 10h02min

Expedição avalia brejos e nascentes do Rio Paraim e visita erosão na serra da Chapada das Mangabeiras

Viviane Setragni
Portal Corrente
Brejo da Prata (Foto: Jesy Jr.)

Uma expedição visitou, no último domingo (23), algumas das nascentes e brejos que integram a bacia hidrográfica do Rio Paraim, no município de Corrente. A iniciativa foi da Comissão SOS Paraim, formada por representantes de diversos órgãos, entidades e sociedade civil, que tem por objetivo analisar a atual situação das nascentes e realizar um diagnóstico que será levado ao Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio Gurgueia. Tal diagnóstico é uma das missões de todos os 33 municípios que integram a referida bacia, e será utilizado para angariar recursos para a sua revitalização.

A expedição contou com a participação de técnicos representantes da UESPI, IFPI, ICMBio, Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio Gurgueia, Prefeitura de Corrente e sociedade civil, todos voluntários, e visitou o complexo de nascentes que posteriormente formam o Rio Paraim.


Desmatamento há poucos metros do minadouro da Prata
 


Lavação de roupas há poucos metros do minadouro da Prata

No brejo da Prata a expedição identificou um minadouro sem proteção no acesso, sendo vistos até rastros de animais domésticos nas proximidades. Poucos metros antes há uma área de mata degradada, colocando em risco o minadouro, e alguns metros à frente foi encontrada uma área utilizada para lavação de roupas, outro risco para as nascentes.


Brejo da Jia (Foto: Hermes Tuxaua)
 

Já no brejo da Jia foi identificado um verdadeiro complexo de nascentes, com minadouros em diversos pontos, que aos poucos vão se unindo e tomando corpo. A área não tem livre acesso, por estar localizada mais adentro da mata, mas os técnicos avaliam que a vegetação poderia estar mais conservada, garantindo a proteção integral às nascentes e minadouros. As águas de ambos os brejos, ao se unirem, dão origem ao Rio Paraim.

Outro ponto visitado pela expedição foi o antigo acesso à Chapada das Mangabeiras, que se encontra em um grande processo de erosão. A área, onde foi feita uma tentativa de construção da estrada para serra utilizando a antiga trilha utilizada há decadas, hoje está com acesso inviável e necessita de um grande projeto de revitalização.


Erosão na subida para a serra (Foto: Janleque Miranda)


Erosão na subida para a serra (Foto: Janleque Miranda)
 

As imagens impressionam pela grandiosidade da degradação, ocorrida desde o ano de 2006, quando a empresa vencedora da licitação para a construção da estrada efetuou o corte na serra. A obra não teve continuidade e a erosão tomou conta de todo o local, que pode ser visto até pelo Google Earth.

A coordenadora da Comissão SOS Paraim, a bióloga Francieli Vieira, avalia que a expedição foi muito positiva.“Nós pudemos visitar a área degradada, por uma obra inacabada que tinha por objetivo chegar até a Coaceral, e ter uma noção do trabalho de recuperação que precisa ser feito. Também visualizamos as nascentes dos dois brejos e identificamos a proximidade de roceiros, de gado bebendo nelas, lavação de roupa, causando o risco de contaminação da área, além de lixo jogado no entorno. Precisamos traçar uma estratégia para evitar algumas situações, que inicialmente não exige grandes investimentos – construir bebedouros para os animais, áreas adequadas para a lavação de roupa, mudar a cultura da população. Já quanto à serra, será necessário um grande investimento, porque essa terra toda está descendo e contaminando as nascentes, o que é um risco muito grande”, colocou.

A Comissão irá se reunir nos próximos dias para analisar as informações coletadas e determinar os próximos passos. A próxima expedição terá como objetivo a observação das nascentes do Rio Corrente, localizadas em outra região do interior do município.

 


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