21/08/2017 às 12h06min - Atualizada em 21/08/2017 às 12h56min

CRM realiza vistoria no Hospital Regional de Corrente

Confira a entrevista da presidente do Conselho, Dra. Mirian Parente, concedida ao Portal Corrente

Viviane Setragni
Portal Corrente

O Conselho Regional de Medicina do Estado do Piauí (CRM-PI) realizou uma vistoria em todos os hospitais da região Extremo-Sul do estado nesta última semana. Diversas instituições da região receberam a visita do Conselho, que além de realizar as vistorias também colheu o depoimento de testemunhas arroladas em diversos processos que tramitam no órgão. Segundo a presidente do Conselho, Dra. Mirian Perpétua Palha Dias Parente, a medida tem por objetivo facilitar o andamento dos referidos processos, evitando que as pessoas tenham que se deslocar até a capital Teresina.

Durante a vistoria realizada no Hospital Regional de Corrente na quinta-feira (17), Dra. Mirian concedeu uma entrevista ao Portal Corrente, esclarecendo sobre a área de atuação do CRM e falando sobre a situação da saúde no Extremo-Sul do estado.

 

Portal Corrente - O que é fiscalizado pelo CRM?

Dra. Mirian – Nós observamos tanto a estrutura física dos hospitais, como também a situação de insumos para saber se as pessoas que estão trabalhando  nessas instituições estão tendo condições de trabalho, tanto na questão da segurança na parte laboral como também para o paciente, avaliar se a população está sendo atendida de forma digna.

 

Portal Corrente - A região Extremo-Sul do estado é penalizada pela falta de recursos para procedimentos médicos de média e alta complexidade e atendimentos de urgência, obrigando as instituições a encaminharem os pacientes para serem devidamente atendidos em Floriano ou Teresina. Como o Conselho vê essa situação?

Dra. Mirian - De forma geral nós percebemos certo avanço nas unidades do sul do estado. Nessa vistoria que nós realizamos no hospital de Corrente nós constatamos, por exemplo, a presença do mamógrafo, que é um equipamento tão importante para a prevenção do câncer de mama, embora tenhamos identificado, com certa tristeza, que ele está sendo subutilizado com a realização de poucos exames – hoje nós tivemos apenas 3 pacientes, mas a capacidade dele é para até 20 exames por dia. Há uma necessidade de conscientização dos municípios em relação à importância do exame e a mídia pode ajudar a divulgar esse benefício. Muitas mulheres poderiam estar sendo beneficiadas por esse diagnóstico e estão perdendo essa oportunidade, ou seja, não estão tendo acesso a esse atendimento. E o acesso não está ocorrendo por que?  Porque de fato ela não está tendo acesso ao hospital ou porque ela desconhece o serviço?  Então às vezes há uma melhoria  para a saúde da população, mas não está sendo utilizada de forma adequada.

Por outro lado, nós sentimos muito a distância entre Corrente e a capital Teresina. Nós fizemos questão de visitar pessoalmente a região para conhecer essa dificuldade, como é que o paciente sai daqui e chega lá, quantas horas ele passa nessa estrada, como é que nós podemos fazer para ajudar a melhorar essa situação para essas pessoas que estão nessa distância.

 

Portal Corrente - Quanto à estutura física do Hospital Regional de Corrente, qual foi a constatação do CRM?

Dra. Mirian  - Nós observamos com muita clareza foi que o hospital está com uma dificuldade muito grande estrutural, o prédio é antigo, com algumas infiltrações pelas paredes, e isso trás não somente um desconforto para as pessoas mas uma alteração na saúde delas, pois elas estão em locais considerados insalubres. As pessoas vêm ao hospital atrás de saúde e não precisam se deparar com essas irregularidades. Mas isso é uma questão que depende totalmente da política. Como é um hospital que está sob a gestão do Estado, o CRM vai encaminhar um relatório das condições encontradas para o gestão maior, que é o nosso secretário estadual de Saúde.

Fora isso, nós identificamos uma certa dificuldade na escala médica, uma realidade em todo interior que fica mais distante da capital do estado. Mas nós precisamos dar estímulo para esses profissionais fixarem-se no interior, e é por isso que nós insistimos numa carreira médica, para que quando esse profissional se forme ele tenha interesse em trabalhar longe da capital. E ele só vai ter esse interesse quando ele tiver um salário adequado, para que ele não tenha necessidade de ficar correndo de uma cidade para outra, como normalmente acontece no interior. Então esse profissional até se submete a permanecer no interior, desde que ele tenha essa possibilidade de autar em diversos locais de trabalho, o que termina não sendo a maneira adequada de atendimento, pois ele fica sobrecarregado.

Lutamos por uma carreira para que quando ele comece ele vai ter um crescimento profissional que hoje nós não temos. Hoje nós temos casos de colegas que estão se aposentando com um salário mínimo. A ideia que a população tem do médico é de que ele é sempre uma pessoa bem sucedida financeiramente, na verdade ele às vezes até é, só que momentaneamente, mas ele não tem a segurança trabalhista.

 

Portal Corrente - Recentemente nós tivemos um episódio divulgado em uma emissora de rádio, em que familiares de uma paciente afirmaram que ela teria sofrido um acidente dentro do hospital, que teria resultado em problemas médicos e que a equipe médica não teria informado devidamente a paciente nem os familiares. O CRM já está a par desse caso?

Todos os casos que chegam ao CRM  correm em sigilo. Entretanto, sobre essa situação, ela ainda não chegou para nós. No momento em que ela chegar ela será apurada da maneira mais correta possível, para nós sabermos o que de fato aconteceu, que situação foi essa, se a paciente de fato sofreu algum tipo de violência. Foi no hospital ou não foi? Tudo isso nós teremos que apurar e saber quem são os reponsáveis. No caso de ter responsabilidade médica, o Conselho vai apurar e fazer com que o profissional seja responsabilizado por isso. Mas tem que ver se de fato aconteceu, isso é que é o importante.

 

Na noite de quinta-feira (17) o CRM reuniu-se com os médicos do Hospital Regional de Corrente para a realização de uma ouvidoria. Na ocasião foi dada a oportunidade aos médicos para apresentarem as condições de saúde do seu ponto de vista, não somente de Corrente mas de toda a região.

Segundo a presidente, essa é uma inovação do CRM. “Nós já estivemos em outros locais, como Picos e Parnaíba, e a minha ideia é  ir do Extremo-Norte ao Extremo-Sul para nós conhecermos o estado e constatarmos a situação da saúde”.

Sobre a situação do imóvel, a diretora do Hospital Regional de Corrente, Lindaura Perpétua Cavalcanti, afirma que essa tem sido uma das grandes preocupações da sua gestão. Para solução do problema, já foi protocolado junto à Secretaria de Estado da Saúde do Estado do Piauí (SESAPI)  no início do mês de junho um oficio solicitando uma reforma geral.


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