11/06/2017 às 19h13min - Atualizada em 11/06/2017 às 19h13min

Robert Rios denuncia conspiração para incrimina-lo em fraude

O deputado estadual Robert Rios (PDT), em discurso na tribuna da Assembleia Legislativa nesta quinta-feira (8), lamentou que pessoas inocentes tenham sido prejudicadas na tentativa da máquina do Governo do Estado de tentar, a todo custo, calar a oposição, chegando ao absurdo de um delegado de Polícia Civil ir para a televisão questionar a decisão de desembargador do Tribunal de Justiça.
 

Rios também comentou o ofício, de sua autoria, encaminhado ao delegado-geral da Polícia Civil, Riedel Batista, pedindo informações sobre todos os inquéritos abertos no âmbito da Secretaria de Estado da Segurança para apurar os crimes de corrupção cometidos pelo governo na atual gestão do governador Wellington Dias.                       


Antes de se reportar ao assunto principal do seu pronunciamento, Rios destacou a participação do deputado estadual Luciano Nunes (PSDB) na secretaria-Geral da UNALE (União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais), que realiza a 21ª Conferência Nacional em Foz do Iguaçu (PR).


Profecia

Robert Rios lembrou que há mais de um ano, ainda em fevereiro de 2016, em discurso da tribuna, fez uma profecia, que agora se confirma, graças a sua experiência de mais de 35 anos de atividade policial, com professor, como investigador.

“Uma vingança que estava sendo gestada dentro do útero do governo contra um líder de opisição... Queriam transformar Robert Rios na carcaça humana, queriam a uma minha morte moral”, disse, lendo trechos do discurso, onde cita um delegado de polícia, a quem chamou de “alpinista”.                       


Rios falou ainda das fraudes nos concursos da Polícia Civil, do Tribunal Justiça, da Polícia Militar revelandomodus operandi das quadrilhas e acusando autoridades de pressionar um acusado, durante depoimento para que o incriminasse, junto com o delegado-geral na época, James Guerra.


“O fraudador mencionou o concurso da Polícia Civil. Quem era o secretário de segurança? Robert Rios. O fraudador do concurso disse que não conhecia, nunca tinha tido nenhum contato com Robert Rios”, lembrou.                       

O orador lamentou que um casal de amigos tenha sido preso, humilhado, arrebentado na vida social. “O amigo era filho de um capitão do Exército, homem valoroso, digno, decente e que tocava viola como ninguém e eu sou apaixonado por viola e quem me conhece sabe disso.... O Anderson é o mais talentoso violonista que o Piauí conhece, um homem que não traz a menor maldade,  a menor ambição,  só traz no coração a música. Ele é casado dois filhos,  um recém-nascido, que foi afastado da mãe, levada presa e trancada numa cela suja do 1º Distrito”, lembrou.                       


O deputado relatou a pressão sobre o acusado da fraude para que reconhecer o casal, essas pessoas que não estavam envolvidas na fraude e ele insistiu de que não conhecia nenhum dos dois. Que os dois tiraram notas 42 e 43 pontos, portanto bem abaixo dos que foram aprovados e logo chamados. “Todos os classificáveis foram nomeados e não apenas os aprovados...como fazer uma fraude para tirar míseros 42 e 43 pontos?”, questionou.                        


“O Anderson é meu amigo, mas é amigo do governador Wellington Dias... Vimos ontem um delegado de polícia civil ocupar os canais de televisão para contestar o Tribunal de Justiça pela libertação do casal e pela reintegração nos quadros da Polícia Civil como se esse delegado fosse o revisor das decisões do Judiciário”, reclamou.                       


Segundo Rios, o acusado de fraude no concurso da Polícia Civil tem sido pressionado para admitir que Robert e James Guerra têm ligação com a fraude. “O fraudador disse não conhece e passa a ser torturado psicologicamente. Ele escreveu várias cartas onde disse que está sendo torturado para incriminar Robert Rios e James Guerra”.


Robert Rios mencionou a visita do presidente da Assembleia, Themístocles Filho (PMDB) ao governador Wellington Dias para alertar sobre o discurso dele na tribuna da Casa. “Eu estou dando conhecimento a toda a sociedade piauiense, que se houver um respingo de dignidade a esse governo que ele deve afastar todos esses envolvidos. Não quero prejudicar ninguém. Não gosto de ser leviano. Sou filho da Polícia Federal, que forjou o meu caráter, E lá maior crime é mentira”.


Comunicação


Rios denunciou que o governo, incomodado com seus discurso reuniu o seu marqueteiro com vários deputados do governo, onde a pauta era como responder o Robert Rios, como enfrentar, desmistificar o discurso da oposição. “Não sei qual é a resposta, mas isso mostrou a preocupação do governo com o líder da oposição”.                       


O deputado afirmou ter recebido um jornalista  que lhe mostrou uma mensagem no WhatsApp, sobre um release que teria sido elaborado pela CCom  para acabar com o parlamentar. Imediatamente liguei para o coordenador João de João Rodrigues que negou a autoria do tal release, mas que o jornalistas teria sido contestado pelo coordenador por ter revelado conversa para Robert Rios.                       


“Eu nunca vi uma coisa mais ridícula e mais cretina, sem um fiapo de prova, um traço contra o casal. Nada”. O inquérito, prosseguiu Rios, fala em proporcionalidade das perguntas erradas que são parecidas incriminam o casal. Depois vem outra conclusão: não há ligação telefônica entre o fraudador e o casal, mas eles usaram a mesma torre de comunicação para conversar.                       


“Todos usaram os celulares para ligar, mas não conversaram entre si. Se assim fosse, todos os deputados e senadores estariam envolvidos na lava-jato Por que usam a mesma torre para conversas. Queriam incriminar o secretário de Segurança (Fábio Abreu) nessa patifaria, queria uma briga do Robert Rios com o Fábio Abreu, enquanto o governo ficaria tranquilo”, denunciou.

Apartes

O deputado Dr. Pessoa (PSD) pediu a palavra para repetir uma frase não se deve Temer a morte física, mas a morte moral. 


Rios falou então sobre o ofício endereçado ao delegado geral para saber se ele investigou o uso do avião por um dos filhos do governador; a compra do dicionário pela Secretaria de Educação. E leu trechos da carta do acusado de fraude no concurso da Polícia Civil, em que ele denuncia a tortura psicológica para que ele dê a versão que interessa ao governo.                       


“Como é que nós, cidadãos do estado, poderemos confiar num delegado-geral que faz isso, usa prova plantada, pessoas torturadas, inocentes são presos? [...] Não quero ser Celso Daniel do Piauí quem está perseguindo Robert Rios é o governo. Eu não tenho inimigo. Estou mandando cópia desse dossiê aos jornalistas, ao Ministério Público, aos desembargadores do Tribunal de Justiça e se fosse secretário já teria mandado prender essas pessoas Não acredito que o governador Wellington Dias vai aceitar que isso continue”.


Outro lado


O líder do Governo, deputado João de Deus (PT), falou que com certeza, nem da parte dele ou da parte do governador Wellington Dias vai haver qualquer apoio à tortura de testemunha, a preso, para obter determinado resultado. “Não conversei com o secretário de Segurança, nem com delegado geral sobre esse inquérito, mas tenho curiosidade de conhecer melhor, para saber o que está posto e evitar fazer juízo de valor em cima de especulações das reações que são dadas pela imprensa”, disse. “Não quero isso para mim, não quero que nenhuma pessoa... a plantação de notícia, a pressão psicológica”.
                       

João de Deus confirmou a realização da reunião com a Comunicação do governo, mas que seria “muito pobre convocar uma reunião da comunicação do Governo do Estado para discutir a reação ao discurso da oposição, para rebater Robert Rios. A reunião aconteceu mais para discutir outros assuntos de interesses do governo. Aqui nesta Casa nós travamos o bom combate e vamos continuar com essa postura. Participei da reunião para conhecer a realidade do ver os números da administração até para trazer essa realidade aqui para esta casa, para fazer o contraponto, como por exemplo quantos concursos públicos nós realizamos desde o primeiro governo do Wellington Dias no atual governo. Se não quero para mim, eu não quero para os outros".

O líder se solidarizou com o orador. "Sou solidário a sua preocupação. Vou procurar mais informações junto ao governo. Pedir ao gabinete de vossa excelência, se possível, para que seja encaminhado cópia desses documentos, dessa denúncia, ao próprio governador Wellington Dias para que ele tome conhecimento e adote as providências necessárias para apuração dos fatos, inclusive acionando as Corregedorias da Polícia Civil e Polícia Militar para apurar as responsabilidades”.

 

Valores

Robert Rios disse que o maior defeito do homem público é a burrice, a vaidade e orgulho. Que valores tem o Brasil estão sendo questionados.  Um desembargador decide e um delegado de polícia vai para televisão dar carão em desembargador. Onde é que nós estamos? Um delegado de polícia contraditar, confrontar, ofender uma decisão do desembargador do tribunal,  que é legítima? Onde é que nós estamos? Para onde nós vamos? Quero um favor do deputado João de Deus vou colocar uma cópia de tudo isso para fazer chegar ao governador Wellington Dias. Do fundo da minha alma, tirando toda a parte escura, ainda há uma luz no governo Wellington Dias. Espero que ele possa corrigir isso enquanto é tempo. Há mais de um ano estava preparado para o que viesse; sabia que tinha alguma coisa, não sabia o quê. Não sabia que alguém ia ter vida arrebentanda por pelo simples fato de ser amigo de Robert Rios. Não tenho ódio e nem tenho medo. Estou indignado porque inocentes foram atingidos”.


O deputado Gustavo Neiva (PSB), que presidia a sessão, manifestou solidariedade ao orador, que é o líder da oposição na Casa. “Dizer que isso tudo só acontece pelo caráter combativo do deputado, que tem excelente serviço prestado a sociedade e que irá continuar na trincheira da oposição onde o povo do Piauí o colocou. Todos esses fatos devem ser esclarecidos  a bem da sociedade piauiense.


João de Deus se manifestou mais uma vez para falar que não faz parte da personalidade dele e nem do governador “essa coisa rasteira de buscar informações apontado defeito de adversários. Vou levar esses fatos ao conhecimento do governador. Os documentos e os fatos aqui relatados, porque não faz parte da minha personalidade nem do governador então Dias usar esses tipo de artifício contra os adversários”.

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