14/11/2019 às 09h40min - Atualizada em 14/11/2019 às 09h40min

Policial é condenado a 9 anos de prisão no tribunal do juri em Parnaguá. Julgamento de Hidelbrando Pascoal é adiado para 2020.

G1

 

Raimundo Alves de Oliveira, 51 anos, foi condenado nessa quarta-feira (13) a 9 anos, 4 meses e 15 dias de prisão pela morte de José Hugo Alves Junior, ocorrida em 1997. A sessão presidida pelo juiz José Sodré, titular da comarca de Parnaguá, foi pioneira no Piauí pelo uso da videoconferência para um julgamento pelo Tribunal do Júri. A tecnologia foi necessária porque os réus estão custodiados no Acre, a mais de 4 mil km de distância da comarca onde o crime ocorreu.

A defesa mostrou-se satisfeita com o resultado, já que a denúncia realizada e aceita pela Justiça indicava a participação de Raimundinho, como é conhecido, em um homicídio triplamente qualificado, além do sequestro de três pessoas. 


Julgamento suspenso


 

Estava previsto para esta quarta-feira (13) também o julgamento do ex-deputado e coronel Hidelbrando Pascoal Nogueira Neto, acusado pelo sequestro e pela morte de José Hugo. Logo no começo da audiência, a defesa de Hidelbrando Pascoal no Piauí solicitou a suspensão do julgamento alegando que não teve tempo hábil para analisar o processo.

Seguindo o parecer do Ministério Público, o juiz José Sodré concordou em suspender o julgamento de Hildebrando Pascoal e marcou uma nova audiência para 9 de maio de 2020.

Acusado de chefiar um grupo de extermínio no Acre, Pascoal cumpre pena em Rio Branco por tráfico, tentativa de homicídio e corrupção eleitoral. Em 2009, ele foi condenado a 18 anos de reclusão pela morte de mecânico Agilson Firmino dos Santos, o 'Baiano', caso que ficou conhecido popularmente como 'Crime da Motosserra', em 1996. As condenações todas somam mais de 100 anos.

O promotor de Justiça Rômulo Cordão declarou que Ministério Público considerou uma vitória a condenação do réu após mais de 20 anos do crime.

"Resultado bastante positivo, após 22 anos do crime, chegamos à conclusão do processo, que era algo que se arrastava. Infelizmente não houve julgamento do ex-deputado Hildebrando Pascoal, o mentor desses crimes, mas já há uma nova data e ficamos felizes com isso. Mesmo sem todas as teses acolhidas, mas o réu saiu condenado e respeitamos a soberania dos jurados", declarou o promotor.

 

Tese da defesa

A defesa defendeu a tese de que Raimundo saiu do Acre para o Piauí a pedido de Hildebrando porque conhecia e poderia identificar a vítima, José Hugo, suspeito de matar o irmão de Hildebrando, Itamar Pascoal.

Durante depoimento, Raimundo Alves contou que ao chegar na Fazenda Itapoã, em Parnaguá, José Hugo estava preso e a intenção era levar ele para a delegacia, mas o coronel Hidelbrando Pascoal mudou de ideia. O réu afirmou que veio até o Piauí por solidariedade ao ex-deputado, que não conhecia 'Huguinho'.

"Só que no caminho o Hugo começou a falar coisas que coronel não gostou. Estive no local, não matei ninguém, infelizmente estava no lugar errado e na hora errada. O Hildebrando matou o Hugo, porque ele tirou o coronel do sério. Fiquei no carro quando o Hugo foi retirado, não sei como o mataram", contou.

Raimundo Alves recordou a morte do mecânico Agilson Firmino dos Santos, o 'Baiano', caso que ficou conhecido popularmente como 'Crime da Motosserra', em 1996. A vítima teria ajudado na fuga de José Hugo após a morte de Itamar Pascoal, irmão de Hildebrando.

"Não sei quem matou o baiano, só vi nos jornais que foi serrado vivo. Ele morreu porque estava com José Hugo. Não sei se baiano matou o Itamar. A esposa do Hugo ficou um mês na casa do coronel e depois foi para São Paulo, não sei se foi porque quis", disse.

De acordo com o processo, Firmino foi torturado até morrer, tendo seus membros amputados com uma motosserra e os olhos perfurados. Já o filho de Baiano, o menino de 13 anos, teve o corpo queimado com ácido, além de ter recebido alguns disparos de arma de fogo.

 

Videconferência

O juiz que presidiu a sessão, José Sodré, comemorou a possibilidade de realizar o julgamento de um réu a mais de 4 mil km de distância, gerando economia e garantindo parceria entre os estados.

"Achei uma ferramenta excelente, importantíssima, e mesmo com os percalços da primeira experiência, foi tudo na maior normalidade, os técnicos do Piauí e do Acre, a Presidência e a Corregedoria do Tribunal de Justiça, tanto antes quanto durante a realização, fizeram de tudo para nos ajudar, só tenho a agradecer e creio que essa ferramente ainda há de colaborar muito", declarou.

 

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