16/07/2020 às 15h16min - Atualizada em 16/07/2020 às 15h16min

60 anos de falecimento do Dr. Antônio Chrysippo de Aguiar

Neste dia 16 de julho de 2020, são celebrados os 60 anos de falecimento do ilustre piauiense Dr. Antônio Chrysippo de Aguiar.

Nascido em 4 de setembro de 1896 em Teresina, formou-se na tradicional Faculdade de Medicina da Bahia, em 1919, com a tese: Dos Iódicos.

De 1921 a 1925 foi Diretor do Departamento de Saúde na gestão do governador João Luís Ferreira.


Foi secretário da Fazenda do Piauí no governo do cunhado João de Deus Pires Leal (tio Joca Pires), de 1928 até o golpe de 1930, quando houve a deposição do governador.

Antes de se fixar em Salvador, clinicou no interior. Numa daquelas cidades na Chapada Diamantina, certa noite foi acordado por dois caboclos. Alguém estava precisando de um médico. O paciente era Lampião, Rei do Cangaço. Tratamento exitoso.

Em 1935, concorreu à livre docência da cadeira de Dermatologia, com tese sobre iodetos, aprovado com distinção.

Disputou o cargo de deputado estadual, na Bahia, sem êxito.

Foi secretário de Saúde da Bahia em duas administrações.

Especializou-se em endemias rurais pelo Instituto Oswaldo Cruz (Manguinhos - Rio). tornou-se sanitarista de renome nacional.



Em 3 de outubro de 1958, pelo PSD, concorreu ao cargo de prefeito de Teresina, sendo derrotado pelo undenista Petrônio Portella Nunes.

Casou-se com Hermelinda Andrade, filha de Antonio Vieira de Andrade e de Ana Gomes de Andrade. O casal teve os filhos: Antônio Helvídio (falecido), Maria Lúcia (falecida), Victor (falecido), Maurício, Hélio (falecido), Regina, Helvídio, Vânia e Ana Maria.

Antônio Chrysippo de Aguiar faleceu em Salvador, em 16 de julho de 1960. A Câmara Municipal de Salvador aprovou projeto de lei dando o seu nome a uma das ruas da cidade.

O seu amor por Teresina era tão grande que ele deixou pedido para que o seu corpo fosse sepultado ao lado dos pais no Cemitério São José, em nossa capital.


 
Fragmentos de História Política - Por Antônio Chrysippo de Aguiar

Essa cousa abstrata, a que se dá o nome de opinião pública, é a carta de menos valia no jogo da atualíssima política realista. Favas para princípios, coerência, escrúpulos e outras velharias obsoletas. O essencial é vencer e tem vencido o cinismo ajudado pelo malabarismo.

Todavia, ainda não nos convencemos das primazias desde realismo tão em voga e tão em prática. Saudosismo, passadismo, casmurrice, seja como queira, continuaremos a rabiscar bagatelas, que já não têm expressão talvez, nem sentido. E, por hoje, oferecemos aos nosso escassos leitores alguns fragmentos de história política, pegados ao acaso.

1953 - O Sr. Pedro Freitas entrava no seu terceiro ano de Governo, e, os que acordam cedo ou não dormem, em absoluto, já cogitavam da sua sucessão. Concomitantemente, caia enfermo Eurípides de Aguiar, o espantalho dos traficantes, onde quer que eles estivessem. E a ocasião apresentava-se azada para arrebata-lhe das mãos a flâmula da "eterna vigilância", que ele conduzia bravamente no Piauí., e ainda sustinha levantada, bem alto, apesar da doença que lhe abreviava os dias.

Movimenta-se o senador Matias Olímpio, secretariado pelo deputado Demerval Lobão. Investem, ameaçam e são destroçados, afinal, na convenção do partido, diante da resistência que lhe ofereceram, entre outros udenistas, Luiz Ribeiro, Adelmar Rocha e Lustosa Sobrinho. E, ao ter conhecimento de sua vitória, Eurípides de Aguiar, num dos raros momentos de euforia, que ainda lhe eram concedidos pela dispneia,  levantou a cabeça e disse, voltando-se para o que os cercavam: "é a última caçambada que dou nesses tratantes. Morro satisfeito". E pouco depois morria, levando para o túmulo a impressão de que limpara as trincheiras da sua UDN, à qual tudo sacrificara, inclusive a saúde.

1954 - Assalto ao PTB de João Emílio Falcão. A conquista foi fácil. Para impor-se a Jango, Matias tinha um mandato de senador e Demerval outro de deputado, que levavam da UDN, além dos quebrados estaduais. Após rápidas escaramuças, com recriminações dos legítimos donos da casa, consumou-se o esbulho de João Emílio, Inácio Soares, Benedito da Luz e outros, organizando-se, então, com os egressos da UDN, o novo trabalhismo, chamado de PTB. "Capão". Era simplesmente a escora de que necessitava o senador Matias para a sua premeditada marcha sobre o Karnak. E Pedro Freitas cedeu a tudo, e o resto foi o que se viu. O PTB teve a parte do leão no bolo sucessório.

1957 - Aproxima-se novamente a sucessão governamental. Demerval Lobão, secretário geral do PTB, e delegado do I.A.P.I, denuncia o pacto com o PSD, firmado em 1954. Houve, em princípio, relutâncias e negativas de parte à parte, Contudo, provavelmente cansado de aturar a rede de intrigas, disputas e ambições inesgotáveis, em que o envolveram desde os primeiros dias de seu Governo, o general Gaioso e Almendra decide-se, por fim, a repelir as últimas e descabidas exigências de seus antigos aliados.
E dá-se o rompimento, muito a contragosto, do senador Matias, que planejava contemporizar para explorar, até o derradeiro instante, o Governo do qual, ele e seus amigos, foram os maiores usufrutuários.

1958 - Janeiro. O deputado Cândido Ferraz fez doação da UDN ao senador Matias Olímpio. Das negociações entaboladas, e de que pouco tiveram notícia, saiu a candidatura do secretário do PTB ao Governo do Estado, o qual logo passou a comandar as oposições fundidas de sua preferência e confiança para os demais cargos eletivos. Que virá a seguir, só o tempo dirá, Por ora, os prenúncios são os piores.

......

Antecipando-se aos que nos queira negar credenciais para estranhar o fato consumado da candidatura Demerval Lobão, aceitamos a preliminar de que a nossa filiação aos quadros da UDN piauiense seja, de fato, muito recente. Oporemos, porém, a esse argumento, a nossa tradição de lutas democráticas, que data de muitos anos.

Para só falar no calendário da República nova, lembraremos as nossas atividades aqui dirigindo um jornal A Democracia, na primeira arrancada contra o regime ditatorial de 1930. E isso foi antes, muito antes do famoso "time das guabirabas" e dos misteriosos "incêndios de Teresina".

O que nos apontarão jamais é o ferro ou o carimbo de ditaduras, das quais nunca recebemos favores nem auferimos vantagens, embora reconheçamos que nem todas as interventorias foram nocivas ao Piauí, como igualmente temos de reconhecer que o general Gaioso e Almendra fez um Governo de tolerância. E tão tolerante, a ponto de desarmar adversários honestos e decepcionar amigos e aliados, que esperavam reforçar as suas posições através de truculências policiais.

Não negamos razão aos que nos subestimaram e nos alijaram de qualquer interferência nos mal encaminhados entendimentos udeno-trabalhistas. O que, cousíssima alguma, autorizava, porém, era acreditar que nos deixássemos atrelar, como matéria inerte, ao cargo triunfal da velhacaria, ou que adotássemos a filosofia da indiferença conformada. 

Enfim, as circunstâncias ditarão o rumo que tomaremos. E, acima das circunstâncias, os legítimos interesses da terra em que nascemos e de cujos destinos jamais nos alheamos.

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