06/10/2014 às 18h24min - Atualizada em 06/10/2014 às 18h24min

Eleição para deputado federal em Corrente: votação que diz muito

Poder (ou a falta dele) das lideranças políticas no município fica em evidência

Portal Corrente

Por Viviane Setragni

A votação para deputado federal em Corrente teve um significado a mais do que apenas demonstrar a  escolha do eleitorado do município. Ela serviu também para medir a força das lideranças políticas, todas divididas, como se pode constatar pela quantidade de candidatos que fizeram campanha regularmente.

O ex-prefeito Tertuliano Cavalcanti concentrou-se na campanha de Atila Lira, candidato do PSB (40). Embora tivesse rompido com o ex-governador e candidato ao senado Wilson Martins, Tertuliano continuou apoiando o candidato do mesmo partido, para deputado federal. A votação do seu candidato, 1.382 votos, representa 12,53% dos votos dados em Corrente para os 15 primeiros candidatos com votação expressiva no município. O que chama atenção é a queda de 572 votos, 30% a menos que o candidato obteve em relação à votação de 2010, quando recebeu 1.964 votos.

O grupo composto pelos vereadores Luís Augusto, Ricardo e Juliana apoiou a candidata Iracema Portela. Mesmo com um suporte financeiro pomposo, patrocínio da Marcha pra Jesus, e apoio familiar considerável a equipe conseguiu a façanha de diminuir a votação em 45%, passando dos 2.829 votos em 2010 para apenas 1.531 nesta eleição. O que será que aconteceu???

Já o grupo político do ex-prefeito Benigno Ribeiro pegou carona em uma candidatura praticamente ganha, ao invés do inverso, de apoiar. Heráclito Fortes é e sempre será um dos ícones da política piauiense, que entrou nesta eleição com muita sede, voltando de um longo período de castigo, investindo pesado para voltar a pegar nos microfones, como o mesmo declarou que faria, já no final de 2013. Mesmo assim, não passou de 1.154 votos no município, muito aquém do anunciado e fogueteado aos quatro ventos pela turba.

O radialista Gutão entrou em todos os quartos escuros possíveis nesta eleição (expressão utilizada pelo mesmo para referir-se à “negociação” entre candidato e seus apoiadores). Talvez tenha sido quem mais ganhou neste pleito. “Conversou” com Heráclito, Flávio Nogueira e já quase no final da campanha, com Rodrigo Martins. Não é que conseguiu a incrível façanha de 524 votos, só em Corrente? O problema é se o Flávio Nogueira, comido de porca, resolver cobrar o prejuízo, os votos perdidos pro seu correligionário Rodrigo. E olha que o cara tem fama de cabra-macho, cearense arretado.

Das lideranças que estiveram unidas em torno da candidatura do prefeito Jesualdo Cavalcanti, o vereador Edilson, do PT, concentrou-se na campanha da candidata Rejane Dias, que dos 304 votos que obteve em 2012, quando foi candidata a deputada estadual, passou para 1.154. O partido dividiu ainda seus votos com o candidato Merlong Solano e Assis Carvalho, embora este sim tenha sido reprovado pelos eleitores correntinos, certamente por causa dos escândalos envolvendo seu nome. De 556 votos em 2010, Assis passou para 95 nesta eleição. Os votos petistas no município, para deputado federal, somam 1.621 votos, prova de que a militância do partido é fiel e aguerrida.

Mas o que mais vale comentar é a expressiva votação dos candidatos apoiados pelo prefeito Jesualdo Cavalcanti, Paes Landim e Hugo Napoleão. Sendo o mais bem votado, com quase 15% dos votos dos primeiros 15 candidatos a deputado federal no município, Landim passou de 1.353 votos na última eleição para 1.613 nesta, um aumento de 20%. Já Hugo Napoleão, embora não tenha sido eleito na contagem geral do estado, em Corrente foi muito bem votado, obrigado! Com um aumento de 57%, sua votação passou de 905 em 2010 a 1.418 neste ano.

Os resultados falam, e falam muito. Quem achava que ainda tinha muito prestígio já viu que não está com tudo. Quem achava que era “inteligente articulador político”, levou uma rasteira do povo, mesmo com estrutura de ponta e recursos abundantes. Não é bem assim.

A expressiva votação dos candidatos do prefeito, 3.031 votos, falam por si. É mais do que a aprovação do eleitorado correntino, é o voto de confiança da população, que atendeu ao apelo do gestor e votou nos seus candidatos. E estes números dizem muito sobre as eleições 2016.

 

 

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