12/08/2013 às 18h09min - Atualizada em 12/08/2013 às 18h09min

Greve da ADAPI completa 10 dias

"O estado nos virou as costas", desabafam os servidores

Portal Corrente

Os servidores da ADAPI iniciaram há cerca de 10 dias um movimento de greve, num momento crucial no estado do Piauí, que já foi um dos maiores produtores de bezerros do país. De acordo Leonam Nogueira  Meireles, médico veterinário e servidor efetivo do órgão no município de Corrente, em realidade a greve iniciou já no ano passado: “estando o estado passando por um processo soroepidemiológico, que era fundamental e imprescindível para  sair do estado de médio risco para o estado livre com relação à Febre Aftosa, que será publicado agora no dia 21 pelo Ministro do Desenvolvimento Rural em Teresina, a direção da ADAPI, juntamente com o governo do estado, fez um acordo com os associados, para que se cancelasse a greve e se fizesse os trabalhos do estudo soroepidemiológico,  e após estes estudos voltaria a se negociar com a associação para cumprir os requisitos que foram prometidos pelo governo”. Ainda de acordo com Leonam, durante os estudos a comunicação entre Agência e o governo do estado eram livres, pois havia interesse por parte da gestão em que se realizassem os trabalhos, sendo que após a conclusão em janeiro, encerrou-se por completo a comunicação e por conseguinte, qualquer tipo de negociação. “Não conseguimos sequer marcar uma reunião com a Secretaria de Administração e a direção da ADAPI para rever as promessas que foram feitas pelo governo do estado antes dos estudos”, relata o médico veterinário.

Há um mês a associação dos servidores encaminhou ao diretor da ADAPI um documento reivindicando as promessas feitas, mas o mesmo não foi respondido. “Abrimos mão da greve em prol do estado, tanto que o estado vai mudar de estado devido a esse trabalho que foi desenvolvido por toda a equipe da ADAPI, porém após conseguir a sua meta o estado nos virou as costas”, coloca Leonam.

Ao modificar o status do estado para zona livre de Febre Aftosa com vacinação, Leonam explica que as exigências com relação aos requisitos para se manter o status são maiores, e  dependerão de ações contínuas da Agência,  correndo inclusive o risco de regredir, dependendo das ações desenvolvidas. “Não é uma ameaça que estamos fazendo, mas não vemos mais alternativa diante do descaso por parte do governo do estado”.

Hoje a defasagem salarial com relação aos outros estados é muito grande, sendo o salário dos fiscais veterinários no Piauí é o menor do país. Há situações de pessoas aprovadas em concurso que não assumem porque o salário é muito baixo; em outros casos servidores da Agência estão realizando concursos em outras instituições pelo mesmo motivo. Os servidores ainda denunciam que há um plano de cargos aprovado,  porém o governo nunca fez o enquadramento dos servidores.

As solicitações vão desde o plano de cargos e salários a condições físicas de trabalho,  a nomeação dos servidores que passaram no concurso realizado em 2010.

Na última Sessão da Câmara Municipal de Corrente, os servidores encaminharam um documento aos legisladores solicitando apoio ao movimento. “Levaremos a todas as instâncias nossas reivindicações, pois necessitamos de todo apoio possível”, enfatiza Leonam.

O comércio de bovinos já foi muito intenso no estado; o fluxo de negociação com os estados de São Paulo e Goiás já foi muito grande. Depois que o Piauí entrou na área de risco da Febre Aftosa, o comércio se restringiu aos estados do nordeste. Com a possibilidade da abertura das divisas para o comércio dos bezerros, uma grande vocação do sul do estado, sem dúvida as perspectivas são as melhores possíveis. Diante dos fatos, a sociedade espera que o governo do estado cumpra com as promessas feitas há um ano aos servidores e reconheça a importância da Agência para a tão almejada prosperidade do Piauí, que hoje ainda amarga um dos piores IDHs do país. 


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