20/02/2018 às 10h24min - Atualizada em 20/02/2018 às 10h24min

Prefeito Valdecir Júnior afirma que já concedeu aumento aos professores de Curimatá em 2018

Servidores da educação municipal realizaram ato de paralisação nesta segunda-feira. Prefeito diz que tentou negociar com a classe.

Viviane Setragni
Portal Corrente
Prefeito de Curimatá Valdecir Júnior (foto: GP1)

O prefeito do município de Curimatá, Valdecir Júnior, concedeu uma entrevista ao Portal Corrente manifestando o seu posicionamento em relação à paralisação dos professores, realizada nesta segunda feira (19).

Ele inicia falando sobre os direitos da classe de se manifestar, mas afirma que tentou diálogo e que já concedeu aumento salarial em 2018. “Eu defendo que é um direito da classe fazer as suas reivindicações e falei isso no dia 7 de fevereiro, no início de nossa capacitação pedagógica. Disse ainda que a paralisação não seria necessária pois eu gostaria de participar da audiência onde essa questão seria discutida e eles não aceitaram, então não foi o executivo quem fugiu do diálogo”.

O gestor afirma ainda que antes de levar para a câmara o projeto de lei que concede o reajuste em 2018, os servidores já receberam o mês de janeiro com reajuste de 6,81%. “O Projeto de Lei será apresentado na Câmara essa semana, embora o salário de janeiro já tenha sido pago com reajuste, mesmo sem a lei aprovada por causa do recesso do legislativo. O de 2017 não foi concedido não porque eu não quisesse, mas porque assumi a prefeitura com um percentual de 66% de gasto com a folha de pessoal, infringindo a Lei de Responsabilidade Fiscal. O município de Curimatá estava há 8 anos no CAUC por irresponsabilidade dos gestores quanto à questão fiscal do município. Mesmo entendendo que é um direito legítimo da classe eu não posso ser irresponsável de colocar o município de Curimatá em uma situação de insolvência”, ressalta.

Quanto à mudança de classe dos professores, o prefeito afirma que os professores de classe A serão elevados. “Elevando os professores da classe A para a classe B ou C nenhum professor de Curimatá estará recebendo salário inferior ao Piso Nacional. Então, lembrando, estamos pagando o Piso, estamos pagando os salários, ao contrário de muitos municípios que estão quebrados, e estamos pagando em dia, antes de encerrar o mês. Eu não posso ser irresponsável e comprometer a receita do município. Destacando que 82% dos recursos do Fundeb são gastos com salário de professores”, reforça.

Ainda sobre a mudança de classe, o gestor afirma que muitos professores apresentaram certificados que não são reconhecidos pelo Ministério da Educação e que por este motivo, por causa da lei, não pode atender a essa solicitação nestes casos.

Sobre a reivindicação dos servidores de apoio, referente ao subsídio para deslocamento até a zona rural, o prefeito informa que esses servidores fizeram o concurso já sabendo que iriam trabalhar na zona rural, diferentemente dos professores que eventualmente são lotados em escolas de diferentes localidades. “Infelizmente esse pleito não será possível atender”, colocou.

E sobre os professores contratados, Valdecir Júnior destaca que os salários dos contratados foram pagos com recursos do FPM e não com recursos do Fundeb. “No ano passado, quando fizemos as contratações não havia disponibilidade da maioria dos professores efetivos para dobrar o turno – quando precisamos de um professor de Inglês eu não posso utilizar um professor de outra disciplina, por exemplo”.

“Além disso há uma questão muito séria, se o professor deve cumprir 20h, 7h destas são para uso pedagógico, ou seja, para planejar as aulas, preparar e corrigir provas, enfim, uma série de atividades. Essas horas não estão sendo cumpridas nas escolas, os professores querem ir embora. Não podemos dobrar o turno de um professor que não cumpre nem mesmo o seu devido horário. Eles querem cumprir as 26h e ir embora. Os professores só estão vendo os direitos, todavia os deveres de estarem dentro da escola acompanhando aquele aluno que tem mais dificuldade, se planejando, conversando com os alunos, participando da vida escolar não estava sendo cumprido. Sem falar nos professores que cumprem carga horária na escola estadual. Faremos a verificação, mas levando todos esses aspectos em consideração”, pontuou.

Além de todas as considerações, o prefeito Valdecir Júnior ainda fez questão de destacar a dívida do município com a previdência. “Temos um parcelamento feito junto à Receita Federal no valor mensal de R$ 27 mil reais, em virtude do ex-gestor ter passado 2 anos se apropriando das contribuições previdenciárias dos servidores da Educação, onde ele retinha essas contribuições e não as passava para a Previdência. Durante 197 meses o município de Curimatá estará sendo penalizado por causa de um gestor que não foi responsável com a coisa pública”.

O prefeito finaliza manifestando a sua insatisfação com a paralisação. “Essa paralisação não estará me prejudicando, ela estará prejudicando as pessoas que mais precisam. Em nenhum momento me furtei de manter um diálogo com eles, provoquei esse diálogo, mas não quiseram. O estado está paralisado porque o governador não quis o diálogo, e eu vou levar essa situação para a Justiça, porque eu não me furtei de manter um diálogo e concedi o aumento”.


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