13/05/2013 às 09h25min - Atualizada em 13/05/2013 às 09h25min

Prefeito Jesualdo Cavalcanti concede entrevista ao Portal Corrente

Prefeito fala de Ficha Limpa, concurso, e como decidiu ser candidato a prefeito

Portal Corrente

O atual prefeito de Corrente, Jesualdo Cavalcanti,  assumiu a prefeitura em meio a um diversificado contexto político, onde nove partidos uniram forças para elegê-lo. O desafio de manter unido o grupo, em meio a uma administração com restrições financeiras, como é a realidade da maioria das cidades do interior do nordeste que quase não possuem geração de impostos, não são suficientes para que ele se arrependa de ter concorrido e assumido o cargo. 

De longa carreira política, Jesualdo possui planos para o município e afirma que colocará em prática tudo o que aprendeu e defendeu durante sua atuação como político e como profissional - a possibilidade de uma administração pública sem os vícios tradicionais. Aliado a um secretariado que assumidamente trabalha pela causa, pois muitos são profissionais reconhecidos e que afirmam estarem abrindo mão de seus tempos para atuarem no executivo, o que lhes traria menos retorno do que a atuação em suas áreas, hoje o prefeito tem um plano para o município e deixa as regras bem claras para os que com ele estão, não se preocupando muito em agradar a "gregos e troianos", pois, segundo o próprio, não possui intenção de reeleição.

Em entrevista em sua atual residência, o prefeito, que fez questão da presença do seu Chefe de Gabinete, fala sobre a lei de Ficha Limpa, concurso público e outros assuntos.

O Portal Corrente espera que esta seja a primeira de muitas entrevistas a serem realizadas no município, de forma absolutamente imparcial mas nem por isso passiva. Agindo dentro dos princípios éticos do bom jornalismo, esperamos entrevistar o ex gestor, Benigno Ribeiro. 

Como é a relação do senhor com a imprensa em Corrente? Como senhor avalia a atuação da imprensa em Corrente?

Jesualdo - O que há em Corrente é uma campanha sem pé nem cabeça tentando descaracterizar a administração, sem um objetivo, sem interesse público. Há duas semanas eu tinha um compromisso em Teresina, que era uma reunião entre os prefeitos e o Ministro, e outro compromisso na Caixa Econômica para tentar resolver um problema, pois a antiga gestão construiu a UPA em cima do terreno que era para o Centro de Convenções e isto está nos causando problemas. Então eu, que passei a vida inteira sem andar de ônibus, depois que virei prefeito passei a andar de ônibus; fui para Teresina, junto de minha esposa. O que saíram dizendo por aí é que eu estava muito mal de saúde, quase morrendo. Que sentido tem uma informação como essa? O que eles querem com isso? Estão pensando que com isso vou dar dinheiro da prefeitura? Não dou, nem meu nem da prefeitura, não é assim que eu trabalho.

Há uma emissora que funciona de maneira totalmente irregular, porque ela é uma emissora educativa; não tem propósito político e nem pode ter. Quando a polícia federal partiu pra fechar esta rádio, como aconteceu com várias outras, eles entraram com um mandato de segurança, que foi concedido por minha filha, que é juíza federal.  Nem por isso eu tentei intervir. Esta, que deveria ser uma emissora educativa, atua como emissora política, e política da agressão, do boato. Eles divulgaram aí que eu tinha uma fórmula para me ver livre da vice-prefeita, que eu iria me afastar e permitir que se fizesse algo para cassá-la. Isso é um absurdo.

Hoje o que eu procuro fazer é encontrar uma forma de administrar sem desviar recursos e com muita redução de custos. Estou tentando provar que isso é possível. Na gestão passada, por exemplo, se gastava R$ 128 mil reais de transporte escolar por mês, hoje nós gastamos R$ 73 mil no maior patamar. No caso do lixo, em dezembro se gastou R$ 109 mil, hoje gastamos pouco mais de R$ 60 mil. No caso do Corrent Prev, um sistema de previdência especial incentivado pela APPM, se gastava com uma empresa de consultoria cerca de R$ 9 mil por mês, pra não fazer praticamente nada, pois não tem um beneficiário até agora, apenas dois funcionários efetivos que recebem gratificação, pela prefeitura. Ou seja, ela não tem maiores encargos. Hoje eu pago R$ 5mil. Tinha um contador, que era pago R$ 15 mil, eu pago R$ 6 mil a menos. Tinha um escritório de advogados, que se pagava um valor muito alto, não tenho exatamente a quantia, mas hoje tenho um dos melhores escritórios de advocacia de Teresina e pago R$ 8 mil reais por mês. Então se você examinar todo esse dinheiro que saía pelo ralo, e que esse dinheiro pode ser usado em beneficio do município, ao final pode resultar num bom trabalho. Minhas viagens, pago todas do meu bolso, apesar de ter direito a reembolso, mas é um sacrifício que a gente faz para poder fazer algo pelo município.

Sobre a questão do Chefe de Gabinete, o Salmon Filho, que foi feito um requerimento assinado por quase todos os vereadores, solicitando que o senhor cumpra com a Lei da Ficha Limpa. Como está esta situação? Salmon continua sendo seu chefe de gabinete?

Jesualdo - Eu vou dar uma resposta na Câmara. Eles me pediram uma coisa totalmente errada, que eu apresentasse uma certidão de que ele está no gozo dos direitos políticos dele. Não é a prefeitura que expede certidão, tem um cartório bem ali próximo que expede essa certidão. Esse é o primeiro ponto. O outro ponto de vista da lei orgânica, que foi aprovada uma emenda na qual quem for condenado não pode exercer cargo de comissão, eu acho que o Salmon não estaria enquadrado, porque embora tramite no tribunal um processo sobre quando ele foi secretário de saúde, ainda está em grau de recurso; ninguém é punido até que se finalize todo o processo, mas é uma resposta que eu ainda vou dar na câmara.

Prefeito, no seu facebook o senhor tem atuado de forma bastante ativa, divulgando inclusive ações da prefeitura que não são divulgadas em outros meios de comunicação. Numa de suas colocações a respeito do concurso público o senhor faz acusações pessoais e diretas ao ex-gestor. O senhor não teme receber algum tipo de processo?

Jesualdo - Eu não falei no nome dele, em nenhum momento. Se ele está se sentindo ofendido, é porque ele está vestindo a carapuça. Eu não falei nome. Sobre esse concurso, se você me perguntar se eu tenho opinião formada eu vou dizer que não. Nenhuma. Agora se você pegar o relatório do Tribunal de Contas, no ano de 2009, lá está dito que, embora tenha as contas aprovadas, o município extrapolou as despesas com o gasto de pessoal. Pela Lei de Responsabilidade Fiscal o gestor só pode gastar cerca de 50% das despesas líquidas com o gasto de pessoal. Extrapolou em 2009 e em 2010. Eu vou aguardar o relatório da Comissão, mas ele colocou no concurso 262 cargos. Então numa máquina que já está inchada não seria viável que se criem mais estes cargos. E ainda há cargos que são necessários que não foram criados. As publicações do concurso se limitaram a licitação e ao edital. Sobre os aprovados não foi divulgado. A comissão de transição não passou nenhum dado sobre o concurso.

Sobre o contrato entre a prefeitura e a Fundelta, sabemos que foi acertado que 90% da arrecadação ficariam à empresa e 10% à prefeitura. Não há prestação de contas sobre esses valores e até hoje não sabemos com exatidão quantas pessoas se inscreveram. Não há nenhum ofício entre a Fundelta e a prefeitura, nada. Coisa pública tem que ser prestado contas. Então simplesmente tomei a decisão mais coerente, que foi formar uma Comissão para que se verifique toda a lisura do processo. Seria uma irresponsabilidade minha se eu não fizesse nada, diante da primeira oportunidade que eu tivesse de verificar todo o processo.

Durante a campanha houve muita especulação e ainda há sobre a sua candidatura a prefeitura de Corrente. O que de fato o levou a querer ser candidato a prefeito e como o senhor se sente hoje?

Jesualdo - Se eu disser a você que eu decidi ser candidato eu vou estar mentindo, porque essa decisão passou por uma serie de fatores que estavam além da minha vontade e alem da minha conveniência. Eu sou um homem de 73 anos, já fiz muita coisa nesse Piauí. Desejar ser prefeito na sua terra deve ser todo o sonho de todo aquele que ama a sua terra natal. Mas eu fui candidato por uma contingência, houve de certa forma até um certo clamor, porque nove partidos acharam que tinham que ter um candidato e ao final das contas tudo convergiu para o meu nome. Eu relutei demais, não porque não desejasse, mas porque eu achava que eu não teria condições, na idade em que eu estou, tinha meus netos, estava fazendo um trabalho de pesquisa que estava tendo muita repercussão; mas ao final eu aceitei porque não havia outra saída. Ou eu aceitava ou a prefeitura provavelmente continuaria nas mesmas mãos, sob a mesma orientação.  Aí você diria “e o que determinou você aceitar?”, se eu disser que foi um sermão você irá de certa forma se surpreender.

Eu tinha uma viagem marcada para o dia 14 de junho do ano passado, a qual inclusive já havia pago com antecedência, antes de qualquer especulação sobre eleição. E eu achei que, mesmo diante do prazo a ser cumprido, 30 de junho, eu deveria manter a minha viagem. Acompanhava esta viagem o Padre Toni Batista, um piauiense muito respeitado, e ele nos convidou para uma missa na única Catedral Católica Apostólica de Moscou. E ele, sentindo minha resistência, aproveitou e fez um discurso enfatizando a responsabilidade que temos diante da comunidade; quando há uma convocação e nós temos condições de atendê-la por que não atender?  Ou seja, ele se dirigiu completamente a mim. Aquilo me tocou muito e eu terminei de fato aceitando ali naquele mesmo momento.

Eu não estou aqui fazendo outra coisa senão implementando o que a vida inteira eu preguei, que é a possibilidade de uma boa administração sem os vícios tradicionais. Eu nao sei porque essa odiosidade. Eu nao vou discutir com pessoas que tem um passado de brigas. Militei durante mais de 30 anos na política de Corrente e embora tenha me posicionado, eu quase não tenho inimigos, tanto que, entre nove partidos fui escolhido para representá-los. A resposta que eu vou dar vai ser o meu trabalho, se eu conseguir realizá-lo.

 

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