06/09/2014 às 21h37min - Atualizada em 06/09/2014 às 21h37min

Ex-diretor revela participação de Ciro Nogueira em esquema de corrupção dentro da Petrobras

Os políticos, segundo Paulo Roberto Costa, ficavam com 3% do valor dos contratos da Petrobrás na época que era diretor da estatal, entre 2004 e 2012.

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Nomes de políticos envolvidos no esquema de lavagem de dinheiro comandado pelo doleiro Alberto Yousef veio a tona neste sábado (6) em reportagem da revista Veja. A participação de ex-governadores, presidentes da Câmara e do Senado e de um ministro foi revelada pelo ex-diretor de Abastecimento e Refino da Petrobras, Paulo Roberto Costa. Preso em março pela Polícia Federal por acusação de ligação com o esquema, ele aceitou um acordo de delação premiada e vem sendo interrogado em Curitiba.

Entre os nomes divulgados, estão os presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) e o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA). Do Senado, foi apontada a participação do presidente nacional do PP, Ciro Nogueira (PI), e de Romero Jucá (PMDB-RR). Entre os deputados delatados por Paulo Roberto Costa, está Candido Vacarrezza (PT-SP) e João Pizzolatti (PP-SC).

 

Os políticos, segundo Costa, ficavam com 3% do valor dos contratos da Petrobrás na época que era diretor da estatal, entre 2004 e 2012.

Confira a relação dos políticos envolvidos com negócios sujos da Petrobras:
Edison Lobão, ministro das Minas e Energia, PMDB
João Vaccari Neto, secretário nacional de finanças do PT
Henrique Eduardo Alves, presidente da Câmara dos Deputados, PMDB
Renan Calheiros, presidente do Senado, PMDB
Ciro Nogueira, senador e presidente nacional do PP
Romero Jucá, senador do PMDB
Cândido Vaccarezza, deputado federal do PT
João Pizzolatti, deputado federal do PT
Mario Negromonte, ex-ministro das Cidades, PP
Sergio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro, PMDB
Roseana Sarney, governadora do Maranhão, PMDB
Eduardo Campos, ex-governador de Pernambuco, PSB - morto no mês passado em um acidente aéreo

 

Ciro Nogueira sempre é citado em escândalos nacionais

Em 2012, o nome de Ciro Nogueira foi destaque em todo país por sua amizade com Fernando Cavendish, o dono da Construtora Delta, ligada ao bicheiro Carlinhos Cachoeira. Ninguém sabia dessa amizade até o nome de Ciro ser citado na CPI por ter sido visto ao lado do empresário Cavendish em um restaurante em Paris. O deputado federal Miro Teixeira (PDT-RJ) chegou a pedir uma investigação da CPI para esclarecer esse encontro e as relações de amizades e supostas negociações entre Ciro e Cavendish. Mas, tudo ficou por isso mesmo, como muitos fatos que são abafados no Congresso Nacional. Além do encontro com Cavendish revelado durante as sessões da CPI do Cachoeira, Ciro Nogueira também apareceu com destaque após uma de suas assessoras ser o centro das atenções. Não por seu trabalho e competência, mas por casa de uma aventura sexual que vazou e foi destaque em toda a imprensa nacional.

Para lembrar de outro escândalo em que o parlamentar é citado. Em abril de 2013, a revista Época revelou que emendas de Ciro Nogueira foram usadas para pagar bandas de forró, mas empresas beneficiadas nos contratos teriam ligações com o senador. “Dezoito prefeituras receberam dinheiro das emendas de Ciro e seus colegas. Ao todo, R$ 2,8 milhões. Segundo a CGU, o dinheiro não apenas saiu das emendas de Ciro, como foi parar nas contas de empresas ligadas a ele, todas envolvidas nas fraudes descobertas pelos auditores”, dizia o texto da Época. Em julho de 2013, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, autorizou diligências em Teresina para que a Polícia Federal pegasse o depoimento de várias pessoas com ligações com o senador piauiense, inclusive envolvendo denúncias de empresas laranjas. Dentre essas pessoas, três são deputados federais. O Ministério Público Federal foi o autor dos requerimentos. Estes são apenas alguns dos casos envolvendo Ciro, que desde que foi deputado aparecia em casos no mínimo curiosos, como quando foi preciso dar explicações sobre denúncias do Ministério Público Federal de que teria acobertado políticos sem mandatos que continuaram morando em imóveis da Câmara dos Deputados, quando ele foi responsável pela Coordenação de Habitação, além de ter sido acusado de usar da verba indenizatória para viagem particular a Fernando de Noronha. Em entrevistas ou através de assessoria ele sempre negou qualquer participação em acusações envolvendo seu nome.


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