25/06/2018 às 17h43min - Atualizada em 25/06/2018 às 17h43min

Agricultor de Curimatá elabora projeto de preservação da inhuma e aguarda apoio do poder público

Viviane Setragni
Portal Corrente
(Imagem: Moacir Neto/Tv Clube)


O agricultor Sandro Lúcio, morador da zona rural do município de Curimatá, é também um ambientalista que luta pela preservação da inhuma (Anhima cornuta), uma ave encontrada em várias regiões do país, principalmente em áreas alagadas e próximas às lagoas e rios. Desde a grande seca da região de Curimatá, que teve seu pico no segundo semestre de 2017, período em que barragens, lagoas e rios secaram, a presença do pássaro esteve ameaçada, motivo pelo qual Sandro intensificou os cuidados com a espécie.
 
 
Sandro com as inhumas, na Lagoa Pau D'Arco

“No canto dela ela fala o nome do nosso Piauí, então vamos dar valor a essa ave que canta o nome do nosso Piauí”, justifica, entusiasmado, o agricultor. Sem conhecimento científico, Sandro não viu nisso um empecilho e elaborou um projeto para preservação da ave.

“Em primeiro lugar eu gostaria de espalhar nos locais onde ela mais é encontrada umas placas de advertência alertando que a caça é crime e colocando a legislação, para assustar as pessoas, pois nós temos muito caçadores aqui na região”, afirma o agricultor.

Outra questão abordada por Sandro Lucio é a vulnerabilidade do pássaro, que coloca o ninho no chão, ficando suscetível à ação de diversos animais silvestres.

“Ela coloca mais ou menos 4 ovos, que levam 30 dias para serem chocados. Depois o filhote demora um ano pra voar e nesse um ano tem muitos predadores que comem os filhotes, principalmente o jacaré. Tem ainda a raposa, o gato-do-mato, além de outros animais. Então eu queria a presença de um biólogo e também queria colocar uma tela de proteção, a uma certa distância, pra proteger esses filhotes até a idade que eles voem”, explica o agricultor.

Ele acrescenta ainda a possibilidade de fazer uma espécie de viveiro, para proteger os filhotes. “Seria possível fazer uma espécie de barragem ou lagoa, cercar e colocar vários filhotes lá até a idade que eles voem, seria outra forma de proteger a inhuma. Por isso precisamos de um biólogo aqui na Lagoa do Pau D’Arco, região onde eu moro, para nos orientar sobre o que podemos fazer”, reforça Sandro.

Com o projeto em mãos, o ambientalista já foi atrás de políticos. “Eu já apresentei o projeto para o governador e para a deputada Rejane Dias. Eu gostaria muito do apoio do poder público pra tirar esse projeto do papel e transformar ele em realidade”, reforça.

 

No ano de 2017, a TV Club esteve no local realizando uma reportagem sobre a seca na região e registrou a intensão do agricultor, mas até o momento Sandro não obteve o apoio esperado.

Os biólogos ou entes públicos interessados em conhecer ou colaborar com o projeto, podem entrar em contato diretamente com Sandro Lúcio, através do telefone (89) 9 8124-5131.

 

A inhuma, como é chamada no Extremo-Sul do estado do Piauí, também é conhecida como inhaúma, unicorne, licorne, anhima, alicorne, cuintau ou ema-preta, entre outros nomes. Ela mede 80 centímetros de comprimento, 61 centímetros de altura, 170 centímetros de envergadura e pesa 3,2 quilos. É de cor preta, tendo o ventre branco. Seus pés parecem deformados, pois são enormes os dedos. Na cabeça possui um espículo córneo com 12 centímetros de comprimento. Tem como defesa dois enormes esporões nos ombros.

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