13/03/2019 às 16h56min - Atualizada em 13/03/2019 às 16h56min

Operação “Poço sem Fundo” prende ex-prefeita em cidade do Sul do Piauí

Defesa do vereador envolvido no crime que desviou mais de R$ 3 milhões garante que ele irá se apresentar

PortalAZ

O vereador Fabiano Feitosa Lira (PRTB), do município de Brejo do Piauí está foragido e é apontado como um dos líderes da organização criminosa que desviava recursos que eram destinados à perfuração e manutenção de poços de água que abasteciam municípios no Sul do Piauí. 

A organização criminosa foi desarticulada nesta quarta-feira (13), durante a Operação “Poço sem Fundo” pelo Grupo de Atenção Especial ao Crime Organizado (Gaeco), Polícia Civil, com o apoio da Polícia Militar. Na ação a ex-prefeita de Brejo do Piauí, Márcia Aparecida da Cruz, irmão da gestora Emídio Pereira da Cruz, que foi chefe de gabinete da ex-prefeita, foram presos. A operação cumpriu seis mandados de prisão e nove de buscas e apreensões.

Os crimes, segundo as investigações, teriam ocorrido na gestão de Márcia Aparecida entre os anos de 2013 e 2016. Estima-se que foram desviados, no total, R$ 3 milhões. De acordo, as investigações há indícios de que o grupo repetia o mesmo esquema na cidade de Tamboril do Piauí. Há ainda indicativo de que a organização operava no sentido de lavagem de capital, já que tem patrimônio incompatível com os recursos recebidos do poder público.

“Além de terem vendido notas fiscais a Fabiano Feitosa Lira, no presente IP, juntado em documentação do IP em apenso, ainda há indícios de que repetem esse esquema na cidade de Tamboril do Piauí, em contrato ainda em vigor, razão pela qual esse Juízo vislumbra como necessária a decretação da prisão desse representado, visto a enorme probabilidade do esquema estar em continuidade em cidades vizinhas. Pontua-se que não se trata de mera subcontratação de obra”, afirma o juiz José Carlos da Fonseca Lima, da Comarca de Canto do Buriti, em decisão-mandado. 

O magistrado ainda determinou a prisão temporária da ex-prefeita, Márcia Aparecida Pereira da Cruz, por suspeita de desvio de recursos públicos e dos outros envolvidos no esquema. 

Segundo a denúncia do MPE, a ex-prefeita seria uma das líderes do esquema, que envolveria ainda o vereador Fabiano Feitosa Lira, Valdirene da Silva Pinheiro, Adcarliton Valente Barreto, Carlos Alberto Alves Figueiredo e Emídio Pereira da Cruz. Em sua decisão, o magistrado ressalta que foi “juntado farta prova preliminar, suficiente para convencer esse Juízo dos indícios de autoria de todos os representados”, diz o juiz na decisão-mandado. 

O juiz José Carlos da Fonseca Lima ainda decretou a indisponibilidade dos bens imóveis e móveis, assim como seja determinou a indisponibilidade de valores mediante o bloqueio das contas bancárias existentes em nome dos investigados (pessoas físicas e jurídicas), limitado ao valor estimado de R$ 2.827.301,35 (dois milhões, oitocentos e vinte e sete mil, trezentos e um reais e trinta e cinco centavos), de forma solidária.

Ressalta-se que na 'documentação inicial' de número 01 a 10, no IP supracitado, um fato agravante que é utilizado como indício visando deferir o pedido do representante, que a situação investigada, quase a totalidade dos operadores dos poços afirmaram que a comunidade já fez reparos por conta própria e eram eles que limpavam as caixas d’água, serviço que deveria ser prestado pela empresa contratada. Após coleta de dados em meios abertos e fechados, constatou-se que o vereador de Brejo do Piauí Fabiano Feitosa Lira é, na verdade, sócio oculto da empresa FM Projetos e Construções, que está registrada em nome de sua esposa Márcia Regina Pissoloto e seu amigo, inclusive apontado como irmão por algumas testemunhas, o Sr. Edmilson Sousa Mota, conhecido como Bazuca. 

A defesa do vereador Fabiano Feitosa Lira (PRTB) – apontado como líder de organização criminosa que desviava verba para a construção e manutenção de poços de água no Sul do Piauí, garante que o acusado (que está foragido) irá se apresentar assim que solicitado. 

Entenda o caso 

A ex-prefeita do município de Brejo do Piauí, Márcia Aparecida, foi presa, na manhã desta quarta-feira (13), em operação do Grupo de Atenção Especial ao Crime Organizado (Gaeco) e Polícia Civil, com o apoio da Polícia Militar. 

A ex-gestora e empresários são suspeitos de desviarem recursos que eram destinados à perfuração e manutenção de poços de água que abastecem municípios ao Sul do Piauí. Os crimes ocorreram na gestão de Márcia Aparecida entre os anos de 2013 e 2016. Estima-se que foram desviados, no total, R$ 3 milhões.

Além da ex-prefeita de Brejo do Piauí, Márcia Aparecida Pereira da Cruz (mandato 2013-2016), foram presos o chefe de gabinete da ex-prefeita, Emídio Pereira da Cruz; o pregoeiro municipal, Carlos Alberto Figueiredo; e os donos da empresa VSP Construtora, Adcarliton Valente Barreto e Valdirene da Silva Pinheiro, suspeitos de fornecerem as notas frias para o desvio dos pagamentos. 

 


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