07/10/2015 às 12h10min - Atualizada em 07/10/2015 às 12h10min

Historiador recupera relíquia histórica e devolve à comunidade de Riacho Fresco, interior de Parnaguá

Sino da Capela das Almas do Pequizeiro, vindo de Portugal, havia sido roubado há seis anos

Portal Corrente

A comunidade de Riacho Fresco, zona rural do município de Parnaguá, comemorou na última segunda-feira (05/10), a volta do sino à torre da Capela das Almas do Pequizeiro. A missa comemorativa foi celebrada pelo Padre José Dutra Fonseca Baião e contou com a presença de grande número de pessoas da comunidade de Parnaguá e dos descendentes da família Lustoza.

O historiador e vereador do município de Corrente, Edilson de Araújo Nogueira, conta que o sino havia sido furtado há seis anos e que durante todo este tempo a comunidade não se conformava com o sumiço do artefato quando então, há alguns dias,  chegou até o seu conhecimento informações sobre o paradeiro do sino roubado.

"Soubemos que um rapaz, arrependido, teria confessado a um pastor que ele teria participado do furto do sino e que ele estaria instalado em uma capela no interior do município de Formosa de Rio Preto.Eu fui pessoalmente no dia 20 de setembro, junto com mais quatro pessoas da comunidade, até o local onde havia a suspeita de que o sino estava instalado e para a nossa surpresa constatamos que se tratava dele. É com muita felicidade que conseguimos recuperar o artefato e na manhã desta segunda o Padre Dutra celebrou a missa em comemoração à recuperação do sino e uma grande festa foi realizada”, conta entusiasmado.

A história em torno do sino é contada pelo próprio historiador, um grande estudioso da história das primeiras famílias a colonizarem o estado do Piauí, a partir de Parnaguá, sendo ele próprio um dos descendentes.

 

“A capela das Almas do Pequizeiro é um lugar de devoção desde 1820. Diz a lenda que o Tenente Coronel José da Cunha Lustoza, pai do Barão do Paraim, do  Barão de Santa Filomena e do Marques de Paranaguá, morava no Mocambo. Tinha ele um boi que pastava no lugar chamado Riacho Fresco e este boi ninguém conseguia trazer para o curral. O Tenente Coronel determinou que um escravo de nome Bento fosse pegar o boi e, caso não pegasse, ia colocar o mesmo em um tronco.

O Negro selou o cavalo e partiu para pegar o boi no pasto. Ao chegar embaixo de um Pequizeiro para descansar, apareceram seis almas benditas pedindo ao mesmo que intercedesse para que fosse construída uma capela em devoção as seis almas. O Negro Bento, atemorizado, volta ao Mocambo e comunica ao Tenente Coronel do que acontecera.

Não acreditando na história do escravo, José da Cunha Lustoza chama quatro negros e determina que o mesmo fosse levado ao tronco. O Negro Bento roga ao amo que fosse pessoalmente até o local e, se não fosse verdade, o mesmo poderia até mata-lo.

O Tenente Coronel, desconfiado, aceita o desafio. Ao chegar embaixo  do Pequizeiro começa a xingar o Negro e logo o seu cavalo começa a afundar. Verificando que o seu cavalo afundava como se fosse uma areia movediça, roga às Almas que o tirasse daquele lamaçal e que construía uma Capela em devoção.

Tendo sido salvo, cumpriu a sua promessa em outubro de 1820. Na sua torre colocou um sino de bronze com 95Kg,  vindo de Portugal.


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