03/12/2017 às 15h32min - Atualizada em 03/12/2017 às 15h32min

A curta história de Relógio

Por Gabriela Aguiar

Portal Corrente
Gabriela Aguiar
            Relógio era solitário e triste. Não gostava de desempenhar a função para qual fora designado. As pessoas sempre viam o seu badalar com ânsia ou aflição. Nunca prestavam atenção no que ele realmente era.
 
            Estava pendurado naquela parede branca e fria há mais tempo do que conseguiria se lembrar. E em todo esse “tempo” não vira nenhum sorriso sincero, mas presenciou muitos dedos nervosos se cruzando e algumas lágrimas sendo derramadas. Ele sabia que não era sua culpa, se pudesse, ajudaria...
 
            As pessoas costumavam reclamar que ele poderia passar mais depressa ou simplesmente voltar o tempo. Mas Relógio não tinha o poder de fazer isso. Uma vez ele até tentou... O máximo que conseguiu foi parar seus ponteiros, entretanto, nada ao seu redor estagnou. Ele é que foi sozinho passar duas semanas no conserto.
 
            Relógio ficava inconformado porque as pessoas não viam que ele podia marcar suas melhores alegrias e, com algum tempo, curar as suas dores. Relógio adorava badalar ao nascer do dia ou para anunciar a chegada da noite. Mas ninguém notava... Ninguém prestava atenção nas coisas boas que ele fazia.
 
            Ele então decidiu aposentar seus ponteiros. E pediu muito para que na próxima vida viesse numa forma mais legal. Pensou então que poderia ser dinheiro... Sempre ouvia falar que “tempo era dinheiro”, dessa forma poderia atender melhor as pessoas.
 
            Pobre Relógio... Mal sabia ele que essa nova forma traria muito mais reclamações e tristeza do que a que ocupava agora.
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